terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Expressinho da direita



Os bares são para o-a proprietário-a (e outros) ganhar  dinheiro, uns gastarem, outras se afundarem na tristeza e, claro, para fazer festa, pular, dançar, conversar, fazer o ambiente dos melhores momentos, ao lado outros-as amigos-as e até pessoas desconhecidas.Ao menos é o que procuro ao ir num bar.



Quando sou convidado para ir a um bar, preciso desconhecer o local ou não saber coisas negativas. Por esses dias, ao receber um convite para ir ao Expressinho, bar próximo da biblioteca Municipal de Joinville, não pensei duas vezes disse: Não! Como já havia feito antes. A minha recusa em ir já foi questionada. Mas, somente respondi que em alguns dias da semana o bar é freqüentado por pessoas que assumem posturas de extrema direita e declaradamente nazistas. Fato que não me deixa fazer do ambiente um espaço ideal para a diversão ou aprofundar a tristeza ou a reflexão. Isto é uma razão!



A outra é que na minha memória ainda se fazem presentes os fatos ocorridos em 2003, no final de abril e começo de maio, quando a Prefeitura Municipal de Joinville aprovou um super aumento na tarifa do transporte coletivo. Fazendo uma política não tão pública, mas de acordo com os interesses da classe empresarial, enquanto a população continuava fodida.


As pessoas fodidas não ficaram em silêncio. As ruas foram tomadas por uma semana de protestos. Todo final de tarde os números de pessoas eram de mil e duzentos-as revoltosos-as, chegando ao volume de manifestantes nunca antes visto na cidade, por volta de três mil pessoas fodidas. As empresas se organizaram e colocaram seus seguranças para ameaçar e agredir os manifestantes. A Polícia Militar de Santa Catarina usou seu poder e atacou os-as manifestantes.



A minha memória lembra  da noite ds três mil pessoas fodidas dizendo não ao aumento na tarifa. Na altura da rua Nove de Março, na frente da Biblioteca e do Bar Expressinho, a polícia sufocou um grande número de manifestantes. O Grupo de Resposta Tática, GRT, apareceu com todos os seus equipamentos para “restabelecer a ordem”, utilizando bombas de gás lacrimogêneo, balas de borrachas e os seus cassetetes. A violência era gratuita e demasiada.


Os estudantes e trabalhadores-as eram escolhidos, independentes das suas estruturas físicas, e sofreram com as mais fortes porradas autorizadas pelo Governo do Estado de Santa Catarina, Prefeitura Municipal de Joinville e as empresas Gidion e Transtura.



As violências legitimadas pelos aparelhos do Estado e das empresas estavam de acordo com a realidade.  O que me assustou foi a reação dos freqüentadores e dos proprietários do Bar Expressinho. Em bocas tinham sorrisos com a violência policial. As suas mãos batiam fortes palmas de incentivo à repressão. Os gritos apontavam onde estavam os estudantes e trabalhadores que buscavam proteção, inclusive impediam a permanência de manifestantes no espaço físico do bar. Os fatos não silenciaram na minha memória. Isto é a segunda razão.



As cervejas compartilhadas com amigos e amigas, as conversas e as danças entre todos-as não podem acontecer em bares em que não se existe um respeito a diversidade e a memória seja de apoio ao abuso do poder do Estado e da iniciativa privada. A minha opção é de não sentar (e nem dançar)  no Expressinho da direita. Faço a minha escolha, o que não me faz melhor e nem pior das pessoas vão lá. O juízo é de cada um. Afinal, se é para entrar num Expressinho, que seja um onde os consumidores e proprietários respeitem a diversidade da cidade.







4 comentários:

Ivan disse...

Cara, concordo plenamente contigo. A melhor coisa a se fazer com lugares que não são bem vindos, seja por qual for motivo (e o motivo anunciado até poderia gerar outras atitudes), é o boicote total, principalmente financeiro.

o Cheff disse...

Meu, o que não sobrará para o Zeppelin e o Jerke.

Maikon K disse...

O zeppelin é o centro de convergência da direita joinvilense. Eu fico triste que pessoas com inteligencia vão lá.

maikon k
www.vivonacidade.blogspot.com

Israel disse...

Parece que não mudou muito... as tarifas continuam aumentando sem nenhum sentido lógico. Apenas para saciar as vontades de empresários....
Passe Livre já!