domingo, 28 de fevereiro de 2010

De frente com o meu imaginário


José Mindlin foi um empresário, não foi um personagem da esquerda. Mas, desde minha infância José passou a compor o meu imaginário sobre livros e literatura.  Era José Midlin se fazer presente, eu parava e escuta. Hoje ele morreu. 



Na foto está José (de amarelo) e Thiago (de branco) numa noite de Abril de 2008.

Em 2008 estava em São Paulo visitando a Vanessa, na época minha namorada. Ela me levou na livraria Casa de Livros, onde a Juss, irmã da Vanessa, prestava serviços de criação visual. Era uma noite de abril quando dezenas de crianças homenagearam José. A homenagem foi singela com poesias de Cecília Meireles e Carlos Drumonnd de Andrade. O José  narrou sobre a dupla de poetas, ambos do seu círculo de amigos. Eu estava feliz e emocionado. Naquela noite esteve presente o poeta Thiago de Mello, autor de clássicos da poesia brasileira como “Estatuto do Homem” e “Amor Armado”. Quando caiu a ficha que Thiago de Mello era Thiago de Mello, eu fiquei completamente sem saber o que fazer, a máquina fotográfica tremia na minha mão. Thiago declamou ao amigo José. Era como se o meu imaginário de infância estivesse  de frente ao meu olhar. A poesia declamada por Thiago saiu de um manuscrito escrito por ele e o grande poeta chinelo Pablo Neruda. A noite foi de uma força poética gigantesca, que ainda hoje é difícil delinear uma narrativa, ainda mais quando um dos protagonista não se faz mais presente. 






Manu Chao e a Rádio Bemba na Comunidade Zapatista

Por volta de 2000 ou 2001 o Manu Chao e seus companheiros da Rádio Bemba foram numa comunidade zapatista, em Chiapas no México. O vídeo foi retirado do dvd do cantor. A comunidade zapatista dança e canta com Manu Chao. O EZLN é inspiração de diversas canções de Manu Chao e outros artistas. Na postagem anterior tem mais informações sobre o EZLN.




16 do EZLN


O primeiro dia do ano de 2010 marcou os 16 anos de existência do Exército Zapatista de Libertação Nacional, o EZLN. A formação do grupo ocorreu no sul na região do Chiapas, sul do México.  Nos anos oitenta militantes sociais das cidades se aproximaram da população indígena excluída e deixada na miséria no Estado do Chiapas (Aqui e aqui). As experiências levaram a criação do EZLN onde fez uma nova forma de organização política, experimentando com as realidades dos povos indígenas de Chiapas. O levante do EZNL ocorreu no 1 de janeiro de 1994, quando passou vigorar o Acordo de Livre Comércio entre os países da América do Norte. Na trajetória do EZLN diversas experiências foram realizadas, que não cabe aqui apresentar. Porém, vale salientar que as experimentações realizadas pelos indígenas de Chiapas foram importantíssima para discutir novas formas de organizações políticas.  Olhar e discutir o EZLN poderá inspirar a realidade que nos cerca e construir a esperança no cotidiano das palavras poéticas e das forças das ações e práticas transformadoras em vários campos da vida humana.




sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Proibido Protestar ?


Está circulando na “grande mídia” local a informação da proibição de manifestações no desfile de aniversário da cidade. A PMJ - Prefeitura Municipal de Joinville – alegou que não será permitida realização de demonstração na frente do palanque, na intenção de não atrasar o desfile. 


A repercussão da medida da PMJ começou na última terça-feira, por meio da coluna do Jefferson Saavedra no A notícia. No dia seguinte os radialistas da direita joinvilense (Toninho Neves, Luis Veríssimo e Beto Gebaille) falaram contra a medida, o mesmo aconteceu na edição impressa do jornal Gazeta de Joinville. A oposição de esquerda e da direita aproveitaram o espaço e marcaram presença. Ler Maurício Peixer (do PSBD) gritando por democracia e liberdade de expressão é tão horrível quanto observar a pose de "esquerdista" do prefeito Carlito Mers (do PT).


A “grande mídia” local, oposição de direita e PMJ não poderão esquecer das garantias da Constituição de 1988: direito de organização política, manifestação e liberdade de expressão. É importante reforçar as liberdades políticas, verdadeiras migalhas jogadas pelo Estado de Direito. 


Outro reforço é que em outros aniversários da cidade e nas comemorações da falaciosa “independência do Brasil” já aconteceram proibições veladas. As manifestações sociais e legitimas (e não bobagens da direita) sofreram com atos repressivos por conta das ações dos organizadores dos desfiles ou por abuso da autoridade policial. No presente momento, o único problema de reclamar na frente  do palanque das autoridades é  ser confundido com um maldito direitista do PSBD ou do DEM.



Na cidade, ainda existem gritos, expressões e lutas legitimas. Estão no Movimento Passe Livre, na luta do movimento estudantil, nas lutas feministas, na questão  da sexualidade, dos-as moradores-as do Juquiá, nas entidades de classe e nas organizações políticas revolucionárias. A questão da proibição não será um grande problema, já que  os-as  lutadores-as sofreram com as tentativas autoritárias do silêncio da dissidência rebelde. No fundo, a medida será mais uma das bandeiras das lutas sociais citadinas.

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A imagem foi produzida no ano passado. Foi utilizada durante a luta contra o aumento na tarifa do zarcão. Eu não tenho um link do autor e nem o nome dele. Foi mal.

Macunaíma


Macunaíma”, livro escrito em 1929 por Mario de Andrade, figura com destaque entre os trabalhos modernistas dos anos 1920 e 30, é reconhecido como a obra literária de grande importância para o entender o Brasil. Faço referência ao entendimento literário, mesmo que, obviamente, a produção literária é fruto do seu meio, na mesma medida a leitura. Os modernistas tiveram um papel importante no que remete ao conteúdo de suas obras. Segundo críticos, os modernistas não foram transformadores na questão estética, valorizaram mais o conteúdo. Eu não tenho propriedade no assunto, mas vale a pena perceber as duas linhas interpretativas da  Semana da Arte Moderna de 22.


Eu, como outros produtos da Escola Pública Brasileira, tive primeiro acesso a adaptação cinematográfica do que o livro. O filme Macunaíma é de 1969, assisti na década de noventa, provavelmente numa madrugada no Canal Bandeirantes, devo ter sido surpreendido com a cena do nascimento do Macunaíma, no filme representando pelo Grande Otelo e depois por Paulo José.  A direção do filme ficou a cargo de Joaquim Pedro de Andrade, acompanhada de um elenco fodido de bom.  “Macunaíma” é daqueles filmes que ao passar dos anos traz outros significados e sentidos. Por exemplo, hoje identifiquei a música de Jards Macalé.


No presente momento não vale discorrer sobre o filme. Afinal, o filme estará sendo exibido no Cine-Teatro do SESC de Joinville, vá, assista e desenvolva uma opinião.





Filme: Macunaíma
Direção Joaquim Pedro de Andrade
Ano: 1969
Duração: 108 minutos.
Local: Cine-Teatro do SESC de Joinville
Horário: 19h:30
ENTRADA FRANCA



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

David Harvey e o direito à cidade


O direito à cidade[i] é um conceito bastante utilizado nos últimos tempos. É comum ouvir nas bocas dos gestores públicos, geralmente um discurso completamente separado da prática. Os gestores públicos deixaram de lado um outro elemento de grande importância ao direito à cidade, faço referência às pessoas que fazem a cidade no seu cotidiano: As que atravessam a cidade da zona sul ao norte para vender sua força de trabalho num chão de fábrica ou as que fazem o trajeto da zona leste a oeste na intenção de catar materiais recicláveis e, ainda, aquelas que passam o dia pelo centro, indo de uma agência de emprego a outra.


A situação de descompasso entre o discurso e a pratica em relação ao direito à cidade, cabe uma citação de David Harvey:


 “...é o direito de mudar a cidade mais de acordo com o desejo de nossos corações (...) A questão do tipo de cidade que desejamos é inseparável da questão do tipo de pessoas que desejamos nos tornar. A liberdade de fazer e refazer a nós mesmo e a nossas cidades dessa maneira é, sustento, um dos mais preciosos de todos os direitos humanos.[ii]


O fragmento de Harvey evidencia o direito à cidade como elementar o  envolvimento das pessoas, identificadas nas classes exploradas ou vitimas de exclusão no espaço urbano, não um discurso para os técnicos e os políticos profissionais. É como se ao sentarmos lado a lado das pessoas, discutindo os problemas enfrentados na cidade, buscarmos a criação de soluções, tomado para as nossas próprias mãos, fazendo um movimento político e social, diferentemente das realizações dos parlamentos e dos gabinetes. O que teremos é a feitura e re-feitura de nós mesmos, tendo o entendimento de que a mudança é obra de todos e todas que vivem nas cidades.


No momento que mais um conceito é retirado de nossas mãos, instigado pelo texto escrito por Felipe Rodrigues para sua aula e a necessidade e um melhor aproveitamento dos momentos de distrações frente ao computador  levou o surgimento da página David Harvey em Português. O espaço está destinado a publicação de artigos e entrevistas do David Harvey, resenhas dos seus livros, artigos sobre ele e reflexões produzidas tendo como referência os pensamentos e a prática de Harvey.  Caso, outras pessoas tenham interesse em contribuir, basta fazer contato. É um espaço para discussão das produções de Harvey, produção dos nossos conceitos em torno do direito à cidade e manter a conexão com as ruas, os legítimos espaços de mudança social.





[i] Vale a nota de que o conceito “Direito à cidade” é o nome de um livro de Henri Lefebvre, lançado em 1968. O autor discute o espaço urbano como “elemento central de estruturação da sociedade, e particularmente da sociedade contemporânea.”(Segundo Dr. Roberto Luis de Melo Monte-Mór.) Eu não tenho o livro, somente li superficialmente na Biblioteca da UNIVILLE, logo será produto de uma leitura real. Porém, na rápida leitura do trabalho de Lefebvre é possível perceber o livro escrito com um tremendo fôlego de dimensões históricas e sociológicas observando a cidade como um lugar de alienação, a venda da força de trabalho, o consumo e a vida cotidiana. Observando a cidade como um lugar de mudança social. 
[ii] HARVEY, David. A Liberdade da Cidade. Revista Urbânia  http://www.arte-esferapublica.org/?page_id=8

A fotografia é do Yuri. Clique aqui.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Notas sobre o carnaval em Joinville

As notas foram produzidas durantes os momentos de falta de luz na casa de minha mãe. A redação foi rabiscada num caderno de notas e dias depois foram transcritas ao computador portátil, em mais um dia de falta de luz.



Nota I


Os dias 12 e 13 foram marcados pelo carnaval nas ruas centrais de Joinville. A realização do evento ficou na mão da LCAJ,  Liga Carnavalesca de Joinville, FCJ, Fundação Cultural de Joinville, e PMJ, Prefeitura Municipal de Joinville, o que já vem acontecendo nos últimos anos. Nesse ano ocorreram mudanças. Um palco gigante foi montando na Praça Dario Salles, ao lado do Ginásio Abel Schultz. As escolas de samba e os blocos carnavalescos saíram da Rua Rio Branco até a Praça Dario Salles.


O transcurso passou na frente da Rua das Palmeiras e do Museu Nacional da Imigração e Colonização. Ambos os espaços historicamente são de dominação da elite cultural e econômica de origem germânica. Elemento importante na exclusão da presença indígena, dos portugueses e tantos outros povos participantes do processo de imigração e colonização na exposição do Museu Nacional da Imigração e Colonização. Forçando a identidade de cidade germânica. A constituição do acervo, sob controle da atual direção do Museu,  poderia alterar, fazendo do espaço do Museu como um mosaico diversificado da história da cidade, fato que em algumas práticas já estão ocorrendo.


De qualquer maneira, presenciar as pessoas da cidade de hoje dançando, levando suas tristezas, suas alegrias e contradições a Rua Rio Branco, em pleno desfile de carnaval tem um peso simbólico de grande importância na possibilidade de mudança da mentalidade cultural.


Um ponto primordial, ao menos no meu ponto de vista, é que atual gestão da PMJ e da FCJ, nem Rodrigo Bornholdt, ex-presidente da FCJ, não tem o direito de se afirmarem como “ó do bogorodó” do carnaval da cidade Afinal, um cenário de samba na cidade se faz presente, isso há anos. Facilmente identificável nos clubes, bares dos bairros e nos programas de rádios. Cenário este que promoveu as raízes e a vida do carnaval nas ruas da cidade. No primeiro momento, o que nos resta é propagar uma homenagem a todos os homens e todas as mulheres que mantêm a dedicação, o ritmo e a dança no samba do cotidiano da cidade.  



Nota II


Joinville não é uma cidade para essas coisas de carnaval. É uma cidade alemã


A frase foi dita por uma amiga numa noite de carnaval. Ela escutou ao ir visitar uma empresa em que vende sua força de trabalho. Ela exerce o papel de subalterna da subalterna da subalterna, logo mais uma participante da classe dos-as fodidos-as da cidade.  Dentro dessa configuração classista, fez a escolha do silêncio e deixou para resistir em outro momento e de outra maneira.


Voltando a frase. O interlocutor da minha amiga provavelmente vive num casulo cultural pretensamente germânico. Não podemos desconsiderar os traços da cultura germânica e da manutenção de diferentes aspectos do grupo étnico dos teuto-brasileiros. Porém, fazer afirmação acima é de uma tremenda ignorância, já que desconhece a trajetória do carnaval na cidade. É uma recusa da prática cultural experimentada em diferentes lugares do mundo. Inclusive em Joinville, naquela cidade dos anos 1920, quando os próprios participantes da elite germânica realizavam os seus bailes de carnaval. Registrado pelo Jornal A notícia na matéria sobre a exposição “Vai Passar”.  O detalhe é que a exclusão estava presente nos bailes, ao menos é perceptível quando somente as famílias tradicionais eram permitidas participarem. “Olha o preconceito, aí gente.” Quem sabe, seja o mesmo preconceito que motive o interlocutor da minha amiga.


Nota III

A diversidade é uma realidade da cidade. Basta entrar num zarcão da zona sul e ir ao terminal da zona norte. No trajeto você encontrará trabalhadores-as a caminho das fábricas, vendedoras das lojas centrais, estudantes negros a caminho da escola. As falas se contrastam nos ouvidos dos transeuntes, é sotaque do norte do Paraná e o estudante da escola técnica Tupy rindo da fala do migrante, é o gaúcho de Porto Alegre falando com expressões carregadas, é um descendente de alemães comentando a visita nas casas dos avós na estrada anaburgo, é o casal homossexual trocando olhares quando o desejo era um beijo, mas a moral alheia causa impedimento do encontro dos lábios. A diversidade não se faz na santa paz de deus. O conflito entre a diversidade está constituído no trajeto do zarcão.


O entendimento de que a diversidade não deve ser escamoteada, porém identificada, problematizada e levando em conta a projeção de um futuro de respeito e prática qualificada como direitos humanos das pessoas da cidade estão vivos. A Associação Arco-Íris, voltada a questão do direito dos gays, lésbicas, travestis, e bissexuais , assumiu o papel de organizar a dissidência rebelde no campo da sexualidade da cidade. O carnaval ganhou o Bloco da Diversidade, segundo promovido pela Associação.  O carnaval já era colorido, agora ficou com as cores da bandeira arco íris da defesa na diversidade sexual.


Agora, restam à esquerda radical, os movimentos sociais e as demais entidades de classe perceberam que a luta por direitos iguais é uma bandeira das lutas sociais. O que poderá fornecer uma fruição mutua de experiências e aprendizados, potencializando que a luta de transformação da cidade é de todos e todas.


O Bloco da Diversidade foi uma maneira de evidenciar o preconceito existente na cidade. Aparentemente no momento do desfile os conflitos tenham se amenizado, o que não poderá nos causar ilusões, pelo contrário, enquanto um sotaque for motivo de piada ou um beijo entre dois homens sofrer retaliações pela moral alheia, a bandeira da diversidade precisa ser esticada nas ruas centrais, se preciso dentro da linha norte sul ou no campus universitário. 


Nota IV (ou: uma tentativa de considerações finais)


As considerações redigidas estão superficiais. O pouco tempo para a problematização e reflexão do tema não possibilitou uma análise mais elaborada. É importante considerar que a existência do carnaval é fruto das pessoas dos bairros, que fazem do samba uma paixão além de fevereiro. A presença do carnaval é uma realidade na cidade, independente dos nossos aspectos germânicos no trajeto da história da cidade. O que é preciso não é a segregação das pessoas de origem alemã. Basta continuar a fazer o carnaval nas ruas da cidade, aberta diversidade componente da cidade, assim potencializando um aprendizado de respeito entre as diferentes composições culturais. É preciso visualizar o Bloco da Diversidade com olhar solidário. Pois, o preconceito existe nas ruas da cidade, seja por  uma pessoa morar no Jardim Paraíso, ser originário do Paraná ou por um homem amar profundamente outro homem.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Atrás do pensamento

 Léo no seu espaço de gravação

O projeto sonoro “Atrás do pensamento” mantém uma ligação com Joinville. Afinal, a morada familiar de Léo é a cidade, mas a graduação faz em Floripa. Outra ligação é o Vini (Eu também sou Zé) com seu acordeom na música “LengaLenga II” do “Atrás do pensamento”. O Léo é portador de uma tremenda sensibilidade para a música, é impressionante. Lembro dele ainda adolescente, sem uma bateria no apartamento dos seus pais, mas estudando bateria no próprio corpo e no que estivesse ao seu redor. Bem, agora é esperar os dois projetos ao vivo no mesmo lugar, que seja uma apresentação em Joinville.



Um video sobre ELAOPA

 
A postagem de hoje é o documentário sobre o VII Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas, ELAOPA, realizado em território uruguaio entre os dias 13, 14 e 15 de fevereiro. A participação envolveu 400 delegados-as do Brasil, Chile, Argentina e Uruguai, inclusive observadores-as da Espanha. Eu deveria ter ido ao evento como observador do Pró- Coletivo Anarquista Organizado, Pró-CAO, infelizmente faltou dinheiro para a viagem. O vídeo é interessante para constatar que as lutas sociais na perspectiva autônoma, independente e apartidária  não é um fato isolado da cabeça doída de alguns militantes sociais, porém é uma realidade nas cabeças doidas e práticas cotidianas de diferentes militantes sociais do continente latino americano.


Visite a página Combate e tenha informações gerais sobre o vídeo


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O incêndio de uma casa antiga


Uma casa na Rua das Palmeiras está sofrendo um incêndio. É a casa com um estacionamento no terreno. O meu amigo percebeu o incêndio por volta das 10h20min. A parte superior está completamente destruída. O corpo de bombeiros voluntários estão utilizados quatro carros ,  até o presente momento(12h:30min) o incêndio está controlado, mas tem pequenos focos.



A Comissão de Peritagem de Unidade de Interesse para Preservação, ligada a  Fundação Cultural de Joinville, estava avaliando o processo de preservação e tombamento da casa. Em menos de um ano, é a segunda casa da Rua das Palmeiras que acontece um incêndio. É triste, já que as casas da Ruas das Palmeiras, por conta do tombamento do Museu Nacional da Imigração e Colonização de Joinviile, formam um conjunto de bens tombados, em meados do século XX, pelo IPHAN. 



Um membro da Comissão relatou que a casa foi construída na década de 1920, mas nos transcorrer das décadas passou a sofrer alterações nos seus usos, amparado nas mudanças do espaço urbano joinvilense. Segundo a minha fonte, é de grande importância execução completa do seu tombamento, já que tem valor histórico/cultural, elemento fundamental na construção da memória, identidade e da cidadania. 



Caso queime a terceira casa, se tornará "tradição" incêndios em casa em processo de tombamento. Os "culpados" é fácil de determinar: “os vagabundos” que perambulam por toda cidade. Jamais as pessoas contrárias a preservação e manutenção das memórias e das nossas identidades históricas e culturais.Nem é preciso discorrer sobre aqueles e aquelas que visam o dinheiro antes da memória e da história da cidade, os verdadeiros baluartes da destruição da história e da diversidade.


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A fonte da foto é o Jornal A notícia.



terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

E o carnaval de Joinville


O carnaval brasileiro está chegando ao seu último dia. Gostaria de escrever sobre o carnaval em Joinville, especialmente sobre o Bloco da Diversidade, organizado pela Associação Arco-Íris de Joinville. Vou deixar para os próximos dias, se conseguir fazer, já que preciso ir a São Paulo, o eterno cinzeiro gigante, buscar uma vaga no mercado de trabalho. 

 Por enquanto, deixo a nota pública da Associação Arco Íris, leia aqui. E as fotos, veja aqui.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os intelectuais da cidade


Os intelectuais da cidade são de uma tristeza sem tamanho. Antes de continuar preciso afirmar que o título de intelectual da cidade não foi elaborado por mim, nem por ninguém do meu círculo de amizade ou convivência. Mas, dou ao luxo de perceber a existência de dois grupos de intelectuais na cidade. Vou dissecar, brevemente.



A)    O grupo A está por aí com toda força. Um nome deles é o Carlos Adauto Vieira, advogado e homem das letras. No último dia nove de fevereiro publicou no Jornal Anotícia, um artigo sobre a rua das palmeiras, leia aqui. O intelectual cita dicas para mudar a Rua das Palmeiras, visando transforma-la num centro mundial universal de visitação. Nem vou discorrer sobre as dicas megalomaniacas. O fato é que não faz referências aos problemas da violência urbana e a falta de perspectiva para a juventude da cidade. Ou seja, ignora os problemas reais da população.



B)     O grupo B é dos intelectuais enjaulados nas universidades –UDESC e UNIVILLE – e os das escolas de ensino superior - IELUSC, SOCIESC, ACE e afins. Eles e elas têm muito que dizer, mas suas vozes ficam restritas as torres dos seus espaços de conhecimento. Não ocorrem ecos de suas vozes. O silêncio, em diversos momentos, é por escolha. Desses não vou citar exemplo, pois o silêncio deles e delas não permitem discorrer com citações.




O grupo A continua falando besteiras sobre a cidade, em determinados aspectos gerando influências. O silêncio do grupo B detém responsabilidade nesse fato. É claro que os-as intelectuais do Grupo B não têm a solução ou são as vanguardas salvadoras dos-as fodidos-as da cidade.  Mas o que custa promover o debate, criar discussões e despertar pensamentos na cidade? Por enquanto, só nos resta ler os mesmos pensamentos nos jornais diários.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Nota I : sobre História e a cidade


Não podemos fazer como Paulinho da Viola, que tinha algo a dizer, mas deixou fugir à lembrança. Então, vamos rememorar fragmentos da história do tempo presente. Em seguida, os nossos olhares e pensamentos serão dominados por reflexões. Faremos perguntas a cada memória da cidade, seja a memória encontrada nos recortes de jornais, nas palavras de quem viveu o tal momento, dos documentos oficiais guardados nos gabinetes políticos ou nas fotografias perdidas no guarda-roupa de um migrante. É, precisamos aproveitar a canção de Renato Teixeira, aquela do cada um faz a sua história e acrescentássemos que cada um –uma- poderá registrar e problematizar a sua, a minha e a nossa história da cidade.



Eu também sou Zé na cidade de Joinville


O meu amigo Vinícius Ferreira está com projeto sonoro. As duas gravações estão expostas na página “Eu também sou Zé”, clique aqui. O Vini é membro da Companhia Dionisios, vive por aqui a sua vida toda, o que faz sentir a cidade de uma maneira muito singela, escute “Bossa de Joinvillle”, você entenderá  o que estou escrevendo. Força Vini!!!




terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Fodidos pelo discurso


É comum ouvir o discurso de que Joinville é a cidade da ordem. A realidade, aquela que se passa na cidade, demonstra o contrário. Basta perceber as diversas reclamações, mobilizações sociais e políticas. Entre elas, a greve dos padeiros em 1917, as disputas étnicas, as lutas contra a ditadura militar, a questão do transporte coletivo, tantas greves dos anos setenta e oitenta, a luta na Cipla e tantas outras questões.


Outro discurso é da cidade germânica. A composição da migração, iniciada em grande escala nos anos setenta, fez mudar a configuração. Quem sabe, hoje, o máximo de “alemão” é a chefe da minha amiga dizer que é preciso ser como Adolf Hitler para controlar os seus “colaboradores”.


O terceiro discurso é afirmação da cidade do trabalho. É, pode até ser, mas alguém poderá dizer onde estão os trabalhos para quem se formou em história? Quem sabe, seja a hora de optar ao leque de possibilidade ao graduado em história, não escrevo sobre lecionar ou fazer pesquisa, comento sobre executar qualquer outra função, especialmente, que não se dedicou, estudou e foi preciso superar diversas dificuldades.


Após apresentar os três discursos básicos da cidade. Chego a conclusão: somos apenas dados estatísticos de qualquer governinho de merda e somos uma nova classe, a dos-as fodidos-as pelo discurso. Será que existe um sindicato dos-as fodidos-as pelo discurso?


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Considerações de uma entrevista

O rádio, ao menos pra mim, tem um poder fascinante. A constituição desse poder se deu quando ainda era criança, todos os dia se ouvia rádio na minha casa. Fortaleceu na minha adolescência, ao lado de amigos de tínhamos uma pequena estação de rádio pirata no Bairro Floresta. Aos sábados eram executados programas, geralmente dividido uma hora por pessoa. Eu era responsável pelo programa de rock, infelizmente fui “demitido” por me recusar a tocar “rock clássico”. Sabe, na época, não admitia tocar coisas chatas como Yes ou Legião Urbana. Essa demissão trouxe um alívio a todos da minha casa, por lá se tinha receio de que a rádio pirata derrubasse um avião, quem sabe o acidente fosse causado pela barulheira da programação escolhida por mim.


Na passagem do meu tempo de vida as estações de rádio continuam marcando presença, hoje escuto programas transmitidos pela internet. Menos quando estou na cozinha, lá ainda resisti um aparelho de rádio, como é na casa de muitas pessoas. O fascínio ainda se faz presente, ainda mais quando se vai num estúdio de uma rádio. Eu tenho ido por meio de outras experiências: nos últimos anos estive em diferentes programas concedendo entrevistas. As razões foram por conta da questão do transporte coletivo, a presença da ditadura militar em Joinville e por conta do blogue que você lê nesse momento.



A última entrevista ocorreu no último sábado. O programa “Manhã da Globo” apresentado por Jota Martins, levantou a pauta sobre os blogues da cidade, querendo saber quais as razões para se manter um blogue, o que se escreve nesses espaços virtuais e fazendo um debate com ouvintes do programa. A iniciativa do programa é inovadora, é o primeiro meio de comunicação tratar dos blogues, ao menos é o que tenho notícia na cidade de Joinville. Em outros veículos de imprensa foram lançadas notas, mas geralmente a fonte não foi citada, como em diversos casos realizados pela Gazeta de Joinville, que hoje não vale pena nem estender a discussão.


Eu fui um dos convidados para falar sobre o meu blog. Também esteve presente o blogueiro Juliano. Não vou reproduzir o papo por aqui, foi bem extenso. Mais três pontos chamaram atenção:


1ª) O blogueiro Juliano comentou que a migração da classe média paulista e carioca possibilita  mudanças na mentalidade cultural da cidade de Joinville. Não podemos cair num determinismo tremendo, como de que “cultura” e “arte” das pessoas de São Paulo ou Rio tem qualidades “superiores”. E que a migração de outros lugares produz uma “cultura inferior”. Ou pior, existe a possibilidade de cairmos no discurso de que às pessoas do Paraná e nordeste não são possuidores de cultura. Em Joinville, existem  variados exemplos de pessoas originárias de diferentes lugares do Brasil, cujo todo seu fazer é encharcado de cultura e de arte, basta olhar aos projetos realizados Jardim Paraíso, Profipo, Itinga e demais bairros.



2ª) A ouvinte Lesita Machado enviou a seguinte mensagem ao programa: “Estou escutando a entrevista. Parece quem nasceu em Joinville, como eu e minha família, nunca fizeram nada pela cidade e ainda parecem serem considerados atrasados.” É preciso separar as opiniões, não confundir a minha opinião com a do Juliano. O que é mais visível é a presença, entre as pessoas de Joinville, que qualquer discurso dissidente sobre a cidade deve ser censurado de alguma maneira. É como se o slogan “Ame ou deixe-a” fosse a única verdade. Outro ponto, é que a minha fala, no programa e no blogue, nem sempre aponta as pessoas como “culpadas” pelos problemas da cidade, SEMPRE mantenho o ponto de vista das pessoas têm o real poder de transformação da cidade. É claro que, em momentos históricos ocorreram silêncios de grupos da cidade, o que ocasionou a manutenção de desigualdades e explorações. No meu ponto de vista, a possibilidade de mudar o rumo da cidade está em nossas mãos, fazendo o direito à cidade existir de fato.



3ª) O fato do Jota Martins e toda sua equipe promoverem o debate sobre blogue é de grande valor. O que é mais importante é perceber o programa “Manhã da Globo” está realizando um jornalismo como espaço de debates. É um espaço privado de comunicação que tem características democráticas, buscando disseminar diferentes olhares sobre a cidade de Joinville. Um exemplo está aí, basta conferir o programa nas manhãs de segunda-feira a sábado. Uma pena a Rádio Udesc -que é pública- não promover essa linha de jornalismo. As comunitárias também não realizam esse papel.


As minhas experiências nas rádios fizeram sustentar a necessidade da criação de uma versão de "rádio" do blogue Vivonacidade. Vontade já compartilhada com outros amigos e outras amigas.  A experiência levaria muito tempo, que estou precisando utilizar em outras atividades. O importante é que a inquietação se faz presente, seja na maneira de sentir, pensar, refletir e escrever sobre a cidade. E se  faz mais presente, o fascínio de discutir a cidade nas ondas das estações radiofônicas.










sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Combinação terrível

 
 A foto é do Upiara, jornalista de política do jornal A notícia.

O termômetro marcou 45 graus, isso na tarde de ontem. O final de semana promete mais sol.  Sabe, viver na cidade é bom, mas a combinação excessiva de sol, asfalto e concreto é terrível.


Nota de sexta-feira


A presente semana foi de pouca movimentação blogueira. Ao menos no “Vivo na Cidade”. Quem sabe seja o calor, afinal, ainda são as pessoas que determinam o conteúdo de um blogue. Aí, quando a pessoa fica completamente dominada pela fadiga, criada por esse calor do demonho, o espaço virtual é alimentado por simples notas informativas.


Hoje não será diferente. É apenas mais uma postagem de informações. Vamos lá:


A)    Na noite de hoje ocorrerá à exibição do filme “Muito Além do Cidadão Kane”. Mais informações, clique aqui.


B)  No sábado, por volta das 10:30 da manhã, no programa “Manhã da Globo”, apresentado por Jota Martins, na Rádio Globo, acontecerá um bate papo sobre os blogues. Estarei participando. Quem é de Joinville basta sintonizar em 1590 AM. O pessoal de fora, basta clicar aqui. No canto esquerdo superior tem informações de como ouvir na net.


C)    A peça “MARCO” estará no teatro do SESC de Joinville. A entrada é gratuita. Clique aqui e saiba mais sobre a exibição.


É isso.



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O retorno do CMI-Joinville?


O coletivo local do Centro de Mídia Independente está organizando o retorno das suas atividades. Nos últimos dias espalharam pelos postes da cidade o CMI NA RUA de número 15. A pauta é uma crítica a comunicação como mercadoria e a relação com o poder estatal. O gancho foi o aniversário de 45 anos da Rede Globo, no jornal de poste tratado como Rede Bobo, veja aqui.


A outra atividade é a exibição, em praça pública, do documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, de Saimon Hartog. Filme produzido no ano de 1993, na Inglaterra. O documentário traz informações um pouco fora do contexto de hoje, ao menos os dados. O que não desqualifica os questionamentos abordados no filme. 


O retorno do CMI-Joinville é de grande validade. Especialmente se buscar cobrir os movimentos sociais e os diferentes problemas da cidade. Fazendo que a informação circule com mais força, especialmente, a contra informação.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Apoio ao MST


 Na postagem de ontem foi um relato da entrevista sobre o MST. Hoje publico o cartaz da panfletagem em solidariedade ao movimento. Quem tiver condições de ir ao ato, compareça. 


A realização do modesto evento é do Comitê de Apoio aos Movimentos Sociais. O Comitê também produziu uma nota, leia aqui.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um relato ruim sobre a qualidade da água

Se foi a terceira hora que a página do programa Word está aberta. O meu objetivo era fazer um breve relato sobre a entrevista concedida, às 13 horas, na última segunda-feira. Nada decente saiu. Um exemplo é o parágrafo iniciando com “Se”. (erro gravíssimo de português. Me desculpa, Bruno Izzy ?) O texto continua ruim, até piada interna estou tornado pública. 


Vamos lá. 


O fato é que o Hernandez e eu, cada um por sua organização política, estamos participando do Comitê de Solidariedade aos Movimentos Sociais. Entidade criada em Joinville-SC no mês de dezembro de 2009, cujo objetivo é prestar solidariedade aos movimentos sociais e lutas políticas que estão sofrendo repressões e criminalizações por conta do Estado, dos capitalistas e do poder judiciário. 


Por conta disso, a estudante de jornalismo Jéssica Michels nos convidou para o Programa Comunidade, do canal Brasil Esperança. A apresentação é do comunicador e vereador Patrício Destro (eleito pelo DEM,  o partido dos latifundiários), que de segunda a sexta-feira, das 13 às 14 horas, comanda o programa de notícias. O mix de apresentador-vereador deve ser uma prática bem comum em outras cidades. Só que aqui o fato é mais peculiar. 


O convite era para falar sobre o MST, Movimento dos-as Trabalhadores-as Rurais Sem Terra. Pauta de todos os jornais e revistas semanais, inclusive por conta da prisão de três militantes do MST no Estado de Santa Catarina. Felizmente, já libertados. O que não descaracteriza a necessidade da prestação de solidariedade ao movimento.


Ir num programa televisivo, apresentado por um vereador do DEM,  e falar sobre o MST, não é para ficar preocupado? Não é a mesma coisa que levar um gari para ser entrevistado pelo Boris Casoy? Bem, essa era a dúvida que rondava a minha grande cabeça


Agimos como se não estivéssemos num espaço televisivo, onde tradicionalmente se mantém um ponto de vista conservador. Ainda mais com um apresentador eleito pelos “Demos”. Falamos sobre o surgimento do MST, a necessidade da formação num contexto de ausências (que ainda persiste) de verdadeiras políticas públicas para as pessoas do campo, fizemos a defesa da ocupação das terras, citamos exemplos de Assentamentos e Cooperativas do MST. Inclusive o apresentador-vereador soltou que conhecia experiências no nordeste brasileiro que estão realizando benefícios às pessoas do campo, servindo de um belo a qualquer governo.  Isto não é peculiar?


Sabe, nas próximas eleições não vou votar no cara. Mas que vou começar uma campanha para a água da cidade seja coletada e analisada. Onde se viu um vereador do DEM abrir um espaço no seu programa televisivo e de quebra dizer que o MST oferece alternativas para os problemas do campo.  A água da cidade está com problema, quem sabe seja indicado enviar dez litros ao Boris Casoy, aí vai que entreviste um gari e passe tratar com respeito  todos os seres humanos