domingo, 28 de fevereiro de 2010

De frente com o meu imaginário


José Mindlin foi um empresário, não foi um personagem da esquerda. Mas, desde minha infância José passou a compor o meu imaginário sobre livros e literatura.  Era José Midlin se fazer presente, eu parava e escuta. Hoje ele morreu. 



Na foto está José (de amarelo) e Thiago (de branco) numa noite de Abril de 2008.

Em 2008 estava em São Paulo visitando a Vanessa, na época minha namorada. Ela me levou na livraria Casa de Livros, onde a Juss, irmã da Vanessa, prestava serviços de criação visual. Era uma noite de abril quando dezenas de crianças homenagearam José. A homenagem foi singela com poesias de Cecília Meireles e Carlos Drumonnd de Andrade. O José  narrou sobre a dupla de poetas, ambos do seu círculo de amigos. Eu estava feliz e emocionado. Naquela noite esteve presente o poeta Thiago de Mello, autor de clássicos da poesia brasileira como “Estatuto do Homem” e “Amor Armado”. Quando caiu a ficha que Thiago de Mello era Thiago de Mello, eu fiquei completamente sem saber o que fazer, a máquina fotográfica tremia na minha mão. Thiago declamou ao amigo José. Era como se o meu imaginário de infância estivesse  de frente ao meu olhar. A poesia declamada por Thiago saiu de um manuscrito escrito por ele e o grande poeta chinelo Pablo Neruda. A noite foi de uma força poética gigantesca, que ainda hoje é difícil delinear uma narrativa, ainda mais quando um dos protagonista não se faz mais presente. 






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