quarta-feira, 31 de março de 2010

As intervenções

Os reflexões da primeira proposta para colocar a boca no trombone está crescendo. O mais empolgante é saber que a iniciativa já está sendo aplicada por diferentes pessoas. Faço a reprodução de uma mensagem e imagem em circulação em diferentes mensagens.

"Nossa cidade está passando por mais um momento de exploração pelo transporte coletivo, as empresas de ônibus estão pedindo mais um aumento de passagem.
Péssimo para nós, os usuários.
Está rolando pela cidade várias Inserções nas passagens que agora são cartões retornáveis.
Essas inteserções consistem em escrever nos cartões frases, que reclamem o aumento, questionem os outros usuários sobre a participação para barrar o aumento, fomentem a crítica ao transporte, etc...
        Esse é um meio de comunicação popular que está sendo utilizado por diversos usuários e que causa uma interferência no meio desse circuito ideológico de transporte privado e lucrativo.
         As inserções não são novas e foram muito utilizadas na década de 60 e 70, como sabemos, durante o processo da Ditadura Militar no Brasil. O artista Cildo Meireles  foi o precursor  dessa Ação. Percebendo que na sociedade havia circuitos, assim como o nosso atual da passagem retornável, aproveitou o próprio circuito para criticá-lo. Assim foram as suas Inserções em circuitos ideológicos.
        Na insersões em circuitos ideológicos - Quem Matou Herzog? (foto em anexo), o artista utilizou o circuito da cédula (na época cruzeiro) para questionar o suposto suicídio do jornalista Wladimir Herzog, encontrado morto no DOI-COD, veiculo de repressão da Ditadura Militar.
          Na inserções em circuitos ideológicos - Projeto coca-cola (foto em anexo) o artista utilizou as garrafas retornáveis de coca-cola para questionar a invasão do modo de vida americano no país. Nelas ele colocou a frase: “ Yankees go home” ou seja “Americanos vão pra casa”.
         Além das inteserções, músicas, teatros e demais trabalhos artísticos, a Ditadura Militar foi encarada por dezenas de manifestações contra o regime.
          Como vemos em outros momentos da história do país, as inserções estiveram presentes como foram de questionamento, protesto e crítica.
Esse é um desses momentos, não deixe de fazer a sua parte, seja nas passagens, seja nas ruas!"

Canção de protesto - IV


A última canção é “Nós estamos sabendo”, uma versão de “Está chegando a hora”, de Rubens Campos e Henricão. Acesse as três canções anteiores I, II e III.

4. Nós estamos sabendo
Nós, estamos sabendo
que as tarifas vão aumentar
o que é que vamos fazer
se não temos com que pagar

Ai, ai, ai, ai,
pare este aumento agora
senão nós damos um jeito
meu chapa,
de mandar você ir embora

Quem vive, tem que comer,
tem que vestir,
tem que estudar...
mas com o aumento de tudo
não dá mais pra gente agüentar.

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Eu procurei um vídeo de qualidade, mas nada de coisa boa. Caso tenha uma dica, deixe um recado.

Canção de protesto - III

A terceira canção (I e II) de protesto é "Povo Vivo", uma versão de "Peixe Vivo". Eu não tenho idéia de quem é autoria da composição, já ouvi na voz do Milton Nascimento e do Roberto Carlos.

3. Povo Vivo

Como pode povo vivo
ir a pé para o serviço
o aumento que pediram
é injustiça é disperdício.


ESTR.
Como poderei viver (bis)
Sem dinheiro e sem transporte
é o começo da morte (bis)


O pobre desempregado
não tem nada esta ralado
quando vai pedir trabalho
vai a pé volta cansado


Como pode o operário
viver com este salário
e além de tudo isto
aumentar passagem já é vício


Canção de protesto - II

Continuando com as versões da música popular brasileira. Veja a primeira aqui. A música agora é "Triste Situação", uma versão do clássico Asa Branca, do grande Luiz Gonzaga. Luiz, estava entre os discos de vinil do meu avô, assim como Zé Nilton e tantos outros.

2. Triste Situação

Quando vi os companheiros
reclamar a situação
eu perguntei por tudo isto
e a resposta que judiação

Surgiu de novo o aumento
do transporte da cidade
e quem assina não esta sabendo
de todas nossas dificuldades

As planilhas que pedimos
a prefeitura não quis dar
e nós sabemos que todo povo
tem o direito de examinar.

Nossa luta é legal
para os direitos conquistar
de ter transporte bem acessível
para podermos ir trabalhar

Canção de protesto - I

Revirando envolopes com recortes de jornais e outras fontes documentais das lutas por um transporte público e contra o aumento na cidade de Joinville, encontro a uma folha A4, completamente amarelada, acompanhada de adaptações de clássicos da música popular brasileira. Infelizmente a autoria das versões não consta. Também está sem a data.

Vou  publicar o material conforme a ordem na folha.

1. Ó Companheiro
Ó companheiro porque estás tão triste
mas o que foi que aconteceu,
foi  a tarifa que subiu de novo
o maldito aumento me entristeceu

ESTR.

Ó companheiro, não fique triste, não.
A nossa luta não pode parar agora
o aumento está por fora
vamos vencer os patrões.

Atualização de um roubo

O possível valor do roubo foi atualizado. As empresas Gidion e Transtusa encaminharam o valor de R$2,65 (Leia mais aqui). O colunista Saavedra disse que o prefeito Carlito Mers (do PT) "não pretende demorar tanto" assinar o novo aumento. Eita vontade doida de favorecer os empresários e foder com os-as fodidos-as da cidade. Aliás, o jornal A notícia de hoje, como os demais veículos de comunicação da Rede Globo, lançou uma reportagem sobre acessibilidade ao transporte coletivo em Joinville (Leia aqui). Caso, você seja um pessoa que ama dizer sobre as qualidades do transporte oferecido pela família Bogo e Harger, se informe melhor, pergunte para sua empregada doméstica quais as qualidades do transporte coletivo utilizado todos os dias por ela. No ano passado, quando Carlito aumentou a tarifa, o debate com a população não ocorreu, isso porque ficou enrolando para assinar o aumento. Em 2010, não pretende demorar tanto para encontrar caneta e o contrato. Ou seja, nenhum debate será promovido, ninguém da população será levado em conta. Quem sabe seja um momento para análises mais radicais e pressões mais emergentes.  





terça-feira, 30 de março de 2010

Outras perspectivas de transporte coletivo - I

Em todas as discussões sobre transporte coletivo existe a necessidade de soluções prontas. O ponto de vista da privatização do direito de ir e vir já estão postos em prática, perceba o modelo executado em Joinville e em outras tantas cidades. Por isso, o sentido da postagem  é propagar idéias, diferentes perspectivas sob transporte coletivo, especialmente na perspectiva pública, geralmente marginalizada pelo poder público e privado.

A palestra é com Lúcio Gregori, ex-secretário municipal de São Paulo, na gestão petista de Luiza Erundina (1989-92). idealizador do projeto tarifa zero, tema  abordado na entrevista. A princípio, ao publicar a entrevista com Lúcio Gregori, não é a intenção de defender o modelo da tarifa zero, mas de sustentar o debate sob os pontos de vista de Valorização dos usuários e das usuárias.


Clique aqui e escute a palestra. 
Clique aqui e aqui para assistir uma entrevista com Lúcio Gregori






 

Resposta ao Charles Henrique


Antes de continuar a leitura da postagem, solicito que leia o artigo “A caixa-preta”, do Charles Henrique, depois a minha postagem sobre o artigo (aqui) e por último as novas considerações do Charles Henrique. Depois da maratona pela rede mundial de informação, continue  a leitura a minha postagem.

NOTA I

Não tenho lembranças de comentar que o seu blogue é uma cópia do meu. O que fiz, assumo por completo, basta verificar no meu twitter,  que ficava pra baixo – em tom humorístico – quando o vivonacidade (meu blogue) era confundido com o seu (viverjoinville). É o que único momento nas minhas lembranças, felizmente tenho boa memória.

NOTA II

Você pode escrever um artigo e publicar no jornal, isto jamais será errado. Acredito, quando alguém se propõe a publicar uma opinião, lutar por ela  ou até se submete a participar de um governo, na intenção, ao menos espero, de concretizar essa opinião. Também deve se comprometer a possuir aberturas para as críticas. Afinal, colocar a boca no trombone é se proteger com um teto de vidro, dependendo do tamanho da pedra o estrago é grande, o que se faz necessário se reconstruir o teto. No meu entendimento, a beleza da crítica está na possibilidade de reconstrução.

NOTA  III

Você se torna um iluminado quando trata o tema como uma novidade. Eu não percebi uma única linha onde fizesse referências ao debate já presente sobre abertura dos dados gerais do transporte coletivo. O debate já é feito há tempos, basta acompanhar as falas e os escritos do vereador Adilson Mariano (do PT – eu não sou eleitor dele), ler as reportagens publicadas na Gazeta de Joinville (eu não sou eleitor do PP) e acompanhar os escritos, os debates e as manifestações dos diferentes movimentos sociais e entidades de classe. O artigo nada registra. Ou seja, é como se você fosse o primeiro a discutir o tema. O que te caracteriza como um “iluminado”. Por favor, não utilize o meu argumento, pois basta olhar todas as minhas críticas a história “oficial” da cidade, estão acompanhadas de fontes e diversas referências, inclusive as publicadas nos jornais. Logo, não trago nenhuma luz.

NOTA IV

“Dados Gerais” são todos dados das planilhas, todas as informações reais dos gastos. Não os repassados pelas empregas Gidion e Transtusa, o que é facilmente elaborado para agradar os seus próprios interesses.  Os “Dados Resumidos” são os que estão circulando nas mãos da impressa ou que o poder público disponibiliza. Por favor, sem metáforas médicas para discutir temas sobre cidade, isso é de uma bobagem sem tamanho.

NOTA V

Eu não faço parte do Movimento Passe Livre, na verdade, fiz o meu desligamento há mais de um ano. O que não impede de pensar, refletir e lutar por um transporte público, o que tenho feito, assim como militantes do MPL e de outros movimentos sociais e entidades de classe. Ao contrário de você, a nossa maneira é a luta e não trabalho remunerado para “desenvolver políticas públicas.” Eu fiquei sabendo que o MPL foi recebido pelo IPPUJ. Isso depois de quase um ano após um acampamento na frente da Prefeitura. O que leva a entender como a PMJ e as empresas estão querendo discutir. Por favor, não  vá confundir a minha posição com aos movimentos, entidades e políticos citados.

NOTA VI

Quando afirmo que desconsidera a população é que toda discussão proposta ,por você ,fica presa aos técnicos, políticos e empresários. Enquanto, os usuários e as usuárias não estão sendo ouvidos de fato. Isto é ignorar, é desconsiderar. Por favor, não venha dizer que durante a sua campanha para vereador a população foi ouvida, estou falando sobre debate com a população.Não de campanhas eleitorais.

NOTA VII

Eu acho um saco explicar ironias e piadas. Toda a graça se perde. Eu realmente desprezo o diploma quando é utilizado para ganhar uma “atmosfera” de entendido no assunto. Por exemplo, durante a sua campanha a vereador, pelo PDT, em 2008. Você dizia que havia estudado ciências políticas para realizar o seu sonho de ser político. Então, isso me faz desprezar os diplomas. Um diploma não deve servir para dizer quem apita ou não apita na condição de agente da história.

NOTA FINAL

Charles, o que cria o abismo entre você e eu são pontos de vistas políticos. Você quer ser político profissional, receber para isso, fazer carreira. Quando discute transporte coletivo pensa na lógica privada da mobilidade urbana. Sem contar, que filhotes do fascismo como Robson da Cunha estão ao seu lado. Por isso, faço críticas. Por último, não venha com essa churumelas de que o crítico nada faz, por favor, tenha maturidade política ao receber uma crítica. Não venha querer desconsiderar a minha fala e escrita com uma argumentação tão tosca. Use todo o seu conhecimento criado na faculdade de sociologia, quem sabe tenha utilidade além de referendar o seu preparo para carreira política.  


domingo, 28 de março de 2010

Um fato inesperado

Comecei a série "Arte de colocar a boca no trombone" no dia 23 de março de 2010.  É bom registrar, que nem todas as idéias são novas, a maioria já são práticas continuas dos movimentos sociais e políticos. Ao mesmo tempo, nem todas são de minha autoria, um exemplo é o tema da primeira postagem, que foi sugestão de uma companheira em luta.

O conteúdo da primeira postagem foi de marcar mensagens contra o aumento e a favor de um transporte público. Nos dias seguintes da postagem sugiram comentários, a maioria a favor. Ao mesmo tempo diferentes redes sociais divulgaram a proposta. O que não significava uma aceitação efetiva, ou seja, que a proposta seria executada. 
  
Os bilhetes, ao ficarem nas máquinas das catracas, foram recarregados e são retornados a venda. A minha suspresa foi saber que um grupo de estudantes universitários-as se reuniram e marcaram por volta de quarenta bilhetes. Hoje, nem uma semana após a postagem, um estudante comentou que comprou um bilhete, num terminal da cidade. O bilhete estava marcado com uma mensagem contra o aumento. O primeiro efeito está ocorrendo.  A mensagem está circulando. Vamos continuar a divulgar, a lutar e se organizar.
Proposta I, II, III, IV e V

Está num jornal velho e amarelado - I

A reportagem é  um único recorte de jornal, é impossível fazer uma análise de profundidade com uma única fonte. É preciso amparar em outras fontes históricas como a pesquisa oral , os demais recortes de jornais, os documentos oficiais das empresas, da câmara e da prefeitura e numa ampla pesquisa bibliográfica. Mas vale a pena publicar a fonte histórica.

 "Tinha crianças, velhos e jovens num total aproximado de 200 pessoas que, pouco antes das 20 horas, cansados de gritar e segurar cartazes, resolveram subir os quatros lances de escadas até chegar ao terceiro andar do edifício BESC, onde está instalada a Câmara."  

É o que diz um recorte velho e amarelado do Jornal A notícia, em reportagem publicada no dia 05 de Outubro de 1982. Quando os movimentos populares da cidade se organizaram num ato de cobrança de um encaminhamento do passe-trabalhador. Naquele ano, o presidente da Câmara de Vereadores era Marco Antônio Peixer (do PDS), hoje um péssimo comentarista de futebol, , no ano de 82 era político da Ditadura Militar (1964-85). Peixer tentou evitar a manifestação, não obtive êxito, já que as reivindicações populares não foram realizadas. Não é de hoje que setores da política querem silenciar os movimentos sociais  e sustentam relações entre empresas e políticos. Outro detalhe, quando os governos escutam as vozes das ruas, geralmente, é para fazer um teatro, um verniz de democracia. O que torna fundamental, é mobilização, debates nos mais variados espaços e uma organização consistente.




sábado, 27 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone – V

Aproveite o dia de sábado. Utilize uns minutos para  refletir sobre as suas experiências de atravessar a cidade nos ônibus lotados, também poderá pensar no aumento na tarifa da água e as filas para atendimento nos postos de saúde.... Quem sabe, todos os problemas, cujo Carlito e todo o PT prometeram  mudar(e você acreditou), despertem a sensação de viver numa fossa danada. 

Ficar na fossa sem tornar-la pública é perder a oportunidade de demonstrar a sua tristeza frente uma situação  

Então, utilize a arte do Gabriel Renner, artista gaúcho, vale muito a pena. No mesmo papel de carta você demonstra o seu estado de fossa por conta de mais um aumento na tarifa do zarcão. Caso você não tenha condições de imprimir o papel de carta, solicite ao seu moleque ou a sua meninota para fazer um desenho de como é atravessar a cidade de zarcão.

Na segunda-feira coloque num envolve e envie ao Sr. Prefeito Carlito Mers | Av. Herman August Lepper, 10 | Centro | 89201-910 | Joinville/SC. É bem provável que  o Prefeito não leia, pelo menos, vai irritar a equipe que o cerca, o que já alguma coisa. Afinal, já não estamos na fossa com a possibilidade de mais um aumento?




sexta-feira, 26 de março de 2010

Um nota sobre a Frente de Luta pelo Transporte Público

O ano passado foi marcado pela criação da Frente de Luta pelo Transporte Público. O manifesto da Frente abordando o aumento de 2009 pode ser lido aqui. No corrente ano a Frente voltou a se organizar e já está estruturando suas ações. Logo o blogue estará com atualizações. Fique atento e atenta. 

 A luta continua viva!

Poesia tosca para se ler fora do zarcão (ou: humor é necessário!)

- vou de zarcão.

- não dá não.
pois, tá carão! 

Flavio Solomon,  militante esquecido.



O iluminado, a caixa e a desconsideração

O Charles Henrique, sociólogo e comissionado na Prefeitura, em seu artigo na edição de sexta-feira do Jornal Anotícia, escreve como se fosse um iluminado na questão do transporte coletivo. Ele precisa de mais luz, vamos lá.

A Prefeitura não abre os dados das planilhas, ano passado divulgou  somente parte dos dados. Jamais os dados gerais. O poder público e os empresários não debatem o transporte com a população, menos ainda com os movimentos sociais e entidades cuja pauta é o transporte coletivo. Logo, a caixa não é tão aberta.

O presente articulista deveria observar com mais cuidado tudo o que diz a respeito ao transporte. Não é de hoje o entendimento que o ponto x da questão não é somente a tarifa paga dos bolsos dos usuários e das usuárias. Por exemplo, há tempos o Movimento Passe Livre está pontuando a necessidade de um transporte realmente público, entendendo além do aumento da tarifa. Outro fato, quando um movimento se dispõe a discutir o transporte se faz presente a necessidade de cruzamento de dados. Não é preciso um diploma universitário para chegar a conclusão.

A questão chave é que o articulista se dispõe a condição de iluminado, mas no fundo, desconsidera o contexto da cidade, ignora a existência de um dos protagonistas da questão do transporte coletivo, no caso o Movimento Passe Livre. Erra ainda mais, quando trata a população como fornecedora de dados, não a tratando como possuidora de vivência suficiente para discutir e a realizar um transporte público realmente público e de acordo com as suas necessidades. Por isso, vamos iluminar mais o jovem sociólogo do PDT e companheiro de "luta" do preconceituoso e conservador Robson da Cunha.

Arte de colocar a boca no trombone – IV


É aumentar a tarifa do zarcão para manifestações acontecerem na Praça da Bandeira, ao lado do terminal central. É importante marcar presença em atos centrais, geralmente mobilizados por movimentos sociais, organizações e entidades ligadas aos estudantes do ensino médio e universitário. O setor estudantil é atingindo de maneira violenta, já que os custos com as mensalidades, material escolar e tantas outras atividades pertinentes a formação educacional tem preços altíssimos. Geralmente os trabalhadores e as trabalhadoras participam num baixo número.

Os-as trabalhadores e trabalhadoras lentamente estão aderindo as mobilizações contra o aumento.  Um número mais expressivo passou ser as saudações de incentivo e apoio a luta. É compreensível a dificuldade de ir ao ato, já que estão retornando as suas casas, após uma longa e mal remunerada jornada de trabalho. O cotidiano da classe trabalhadora é diferente dos-as estudantes, os últimos ainda encontram mecanismo para faltar uma semana de aula, depois recuperar, já os-as trabalhadoresas se torna impossível faltar o trabalho. Entre ambos existe um elo, a exploração por meio das empresas Gidion, Transtusa e Prefeitura. O que faz ser determinante uma aproximação entre estudantes e trabalhadores-as.

Os-as manifestantes, em dias de ato, estão compenetrados em suas responsabilidades. O que prejudica uma comunicação efetiva entre estudantes e trabalhadores-as. Por isso, tome a iniciativa de dizer um oi aos manifestantes, diga o quanto gostaria de contribuir e participar. Faça um convite para uma atividade no seu Bairro. Ofereça a sua garagem, o salão de festas da Igreja na sua comunidade ou o pátio da Escola. Chame o máximo de vizinhos, amigos e amigas para uma conversa sobre o aumento na tarifa e a necessidade de um transporte realmente público.

É de grande importância a formação de núcleos em diferentes bairros, assim todos são protagonistas nas ações contra o aumento e na criação de um transporte público, não deixando somente nas mãos de políticos profissionais dirigirem a cidade. Os usuários e as usuárias estão vivenciando os problemas e os altos custos do transporte, por isso, faça você o papel de sujeito da mudança. Organize as pessoas do seu bairro e propostas vão pintar, ao mesmo tempo mobilize  o povo nas ruas, aí gera uma maior insatisfação organizada.


Informações:

quinta-feira, 25 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone – III


Você escreveu uma mensagem contra o aumento no seu bilhete. Já embarcado puxa um discurso contra o aumento e favorável a criação de um transporte público. Estas são as iniciativas de manifestação até aqui. Agora, é preciso pensar nos dias das manifestações nas ruas da cidade, quando as praças são espaços de expressão ou os cruzamentos das principais ruas centrais são fechadas por determinação dos-as manifestantes.

Quando o trânsito dos ônibus, dos carros e das motos é impedido torna-se provável uma inquietação dos-as ocupantes, que poderão esbravejar. O fundamental é manter a calma, quando for abordado por um motorista nervoso, não responda no mesmo tom de voz. A dica é responder economizando palavras, fale das razões de fechar o cruzamento. E que os responsáveis se encontram na Prefeitura e nas empresas Gidion e Transtusa.

Caso não seja suficiente, basta narrar uma historinha singela das aventuras do revolucionário russo Bakunin. O companheiro Bakunin, em 1848, ao saber da Revolução de 1848, que realizou a República Francesa, preparou a sua bolsa e foi a Paris. Segundo Marx, revolucionário alemão, era Bakunin saber de uma eclosão popular que se mandava para lutar ao lado do povo. Enquanto isso, Marx ficava em casa e, ao lado de Engels, lançava seu manifesto.

Bakunin, ao saber da eclosão da Revolução de 1848 sentiu “um arrepio; cheguei a pé a Valenciennes, devido à interrupção da estrada de ferro.”* A caminhada provocou um atraso de três dias. Bakunin não vivenciou os primeiros momentos da Revolução. Bakunin também não procurou um rosto conhecido para chegar mais rápido a Paris. O que não desanimou o revolucionário russo, pelo contrário, por semanas viveu e lutou lado a lado com a classe trabalhadora francesa.

Nas lutas sociais objetivando mudanças da realidade dos-as explorados-as requer sacrifícios, nem que seja o de chegar atrasados dez minutos numa prova da faculdade, não chegar a tempo para o jornal das dezenove horas e dar uns beijinhos na namorada, antes do sogrão chegar do serviço.  Caso o motorista ou a usuária do zarcão não queira descer e lutar ao seu lado, tudo bem. O importante é criar uma compreensão das razões da luta contra o aumento, nem procure favorecer um motorista mais apressadinho. Faça diferente, procure conquistar o incentivo a manifestação, uma demonstração de um sentimento de apoio as reivindicações **



*O fragmento foi retirado do livro “Textos Anarquistas” de M. Bakunin, cuja seleção e notas são do Daniel Guérin. Lançado pela Editora LP&M, facilmente encontrada nas livrarias e bancas por um preço quase camarada. O livro é um bom começo para conhecer as idéias e histórias do revolucionário Bakunin.
** Tenho sentido a necessidade de aplicar um didatismo desnecessário, infelizmente leitores e leitoras podem não entender o porque usei a historieta bakuninista. Por isso afirmo: Não desejo comparar a Revolução Francesa com a luta contra o aumento.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone - II

Nos Estados Unidos da América, entre as primeiras décadas do século XX, o IWW (Trabalhadores Industriais do Mundo) ganhou destaque por seu sindicalismo revolucionário, os seus membros ficaram conhecidos por Wobblies. Entre as diferentes maneiras de atuar estava a postura se uma categoria estivesse com o salário atrasado, toda a classe trabalhadora deveria prestar solidariedade.  O que marcava a necessidade de uma grande rede de propaganda da luta. Eram jornais, músicas, peças teatrais, atos surpresas, sabotagens e discursos em lugares improvisados.

Os discursos em lugares improvisados consistiam em subir numa caixa de sabão*, num lugar movimentando da cidade, passando a discursar sobre as condições da classe trabalhadora. Naquele momento histórico a especialidade da polícia era criminalizar os movimentos sociais e políticos, o que permitia poucos minutos para falar. Ao aproximarmos a prática dos Wobblies a realidade do transporte coletivo em Joinville, a condição de colocar a boca no trombone como nossos companheiros históricos é uma prática válida.

Podemos nos comunicar dentro dos zarcões. Ao invés de puxar papo sobre a chuva excessiva ou o calor brutal, converse sobre o transporte coletivo, a exploração encabeçadas pelas famílias Bogo e Harger, da postura da Prefeitura com a perspectiva privada do transporte, da necessidade de um transporte público, a importância da luta contra mais um aumento e todos os eixos entre transporte coletivo e o direito de ir e vir. 

Quando estiver mais preparado-a, fique de pé, não precisa carregar uma caixa de laranjas, solicite um minuto da atenção e fale sobre todos os problemas do transporte e as possibilidades de luta e alternativa. Importante é não se prolongar, às vezes pode encher a paciência dos-as usuários-as. Ou para evitar que algum policial venha encher a sua paciência, o que não deverá acontecer. Quem sabe uma nova rede de comunicação seja criada, possibilitando a organização da insatisfação contra o aumento  e pelo transporte spúblico.

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* A versão original da postagem fazia referência a uma caixa de laranja. Eu fiz confusão. Caixa de laranja era o que o poeta Allen Ginsberg utiliza como estante dos seus livros. Estava lendo "O anarquismo frente aos novos tempos", do Murray Bookchin. Na página 22 e 23 do livreto, ele cita "Esse fantástico mundo das "caixas de sabão", como ficou conhecido na América do Norte, era uma fonte de ativo intercâmbio político." Então, errei.

Nota da imagem: No centro, provavelmente utilizando como "palanque" uma caixa de laranja, está um wobblie, no inverno de 1912, em San Diego, EUA. Clique aqui e tenha acesso a fonte.

terça-feira, 23 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone - I


Os usuários e as usuárias do transporte coletivo encontram diferentes maneiras de reclamar da condição do transporte coletivo. A maneira mais convencional é participar nas manifestações contra o aumento na tarifa. No presente blogue, diferentes maneiras de colocar a boca no trombone estarão sendo divulgadas. A primeira será a dica de uma amiga.

Ao comprar o cartão para fazer valer o seu direito constitucional de ir e vir, o usuário e a usuária, utilizando um pincel  de marcador permanente escreva a sua opinião sobre o novo aumento na tarifa do zarcão.   O cartão será depositado na máquina de bilhetagem, quando retirado nas empresas, a sua mensagem estará nas mãos das famílias proprietárias do transporte coletivo. 

O efeito político não é possível de se imaginar, mas é uma maneira de expor a sua opinião, o que não excluí a importância de compor as lutas nas ruas, ocupando diferentes espaços como mecanismo de expressão. Por isso, se manifeste contra o aumento e por um transporte coletivo realmente público.

Uma descoberta


O que seria um desocupado para o major Eduardo Luiz do Valles? A sua única frase não era suficiente para chegar a conclusão mais consistente. Felizmente (ou: seria infelizmente) numa conversa com um jornalista empregado, não falo desses estudantes de jornalismo que adotaram o comunismo ou pensamento de esquerda, o que poderia fazer da minha fonte ficar com uma baixa credibilidade aos olhos de quem espera "objetividade" (vulgo: imparcialidade) dos-as jornalistas. Ao menos publicamente, o jornalista não tem uma filiação partidária e nem envolvimento com movimentos sociais.

Este amigo jornalista estava na cobertura do primeiro dia da "Operação de Guerra" no centro de Joinville. De lá trouxe a informação de que o Major disse quando uma pessoa passar numa praça ou rua e uma hora depois voltar a fazer o mesmo trajeto, é passível de entrar na lista das pessoas desocupadas. No momento a minha perna tremeu, passei a questionar todos os meus passos dos últimos tempos. Uma aflição bateu.

Hoje o meu telefone móvel tocou uma música pernambucana, era um amigo que acabava de voltar a realidade, pois passou os últimos dias deitado numa cama com sua amada, espero que ele não tenha caído na história da casa num sítio, ao chegar o fim da noite a companheira amada chamando as crianças para jantar, toda essa história de família pode se tornar apenas seis minutos . Voltando aflição.  No  telefone móvel era um amigo historiador empregado. Ele relatou de certa preocupação com a minha vida. 

O amigo comentou que sabe das minhas caminhas pelo centro. Quando faço o destino um ponto nada certo, como o escritor beat tenho apenas ido, sem  determinar um ponto exato. Explico melhor, estou desempregado, quando estou trabalhando faço parte do trabalho informal, logo os pensadores do mundo social do trabalho vão bolar todo um léxico conceitual da minha condição laborial-informal. Então, a minha caminha tem sido na busca de uma vaga no mercado de trabalho ou vagabundeando nos bancos da cidade.

Segundo o meu amigo historiador empregado, tenho os requisitos mínimos para sofrer uma abordagem policial. No fundo, nada sairá da rotina. Entenda-se abordagem policial seguindo o roteiro "Mão na parede!", "Abra as pernas.", "Eu falei para abrir as pernas!”, "O que tá fazendo por aí, é a segunda vez que tu passa em uma hora nessa praça!”, "Se tá procurando emprego deveria tirar essa barba!!!" Além de receber um tratamento que todo cidadão de bem não colocaria a boca no blogue,  ganho um curso de como manter aparência na busca de uma vaga no mercado de trabalho. Sabe, ao mesmo tempo fica claro o conceito de desocupado e, num ato de pura lambuja policial, descubro um amor a polícia. Sem esquecer que o amor de verdade tem sua dose de aflição, mesmo sendo um desocupado no ponto de vista da polícia.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Galeano

Eduardo Galeano, escritor uruguaio, tem o poder de utilizar poucas palavras  com uma força poética e questionadora. A entrevista cedida por ele ao programa Entrelinhas demonstra um pouquinho da sua força. O indicado é buscar seus livros e antes de dormir ler uma história, deixando a imaginação percorrer os caminhos dos questionamentos amparados no sentimento de um belo amor.


sábado, 20 de março de 2010

Fórum Social Urbano


A expressão “exército de homem só” é utilizada para desacreditar pensamentos, debates ou ações de mudanças sociais. Opositores ao presente blogue já utilizaram a fala buscando deslegitimar e desacreditar as discussões aqui publicadas. Eu poderia ignorá-los, mas são um, dois ou três que estão em espaços comissionados na Prefeitura e qualquer outro cargo indicado pela politicagem canalha. O que faz as opiniões deles serem alvos de críticas e todos os movimentos e indivíduos que pensam e querem a cidade fora do ponto de vista do capital precisam se manifestar. 

Nos dias 22 ao dia 26 de março, na cidade do Rio de Janeiro, movimentos sociais, organizações populares e quem mais tiverem interesse em contribuir estarão participando do Fórum Social Urbano nos bairros e no mundo, em luta pelo direito à cidade, pela democracia e justiça urbanas. Quando vivências de luta e práticas de fazer a cidade do ponto de vista das pessoas serão apresentadas, trocadas e discutidas, possuindo como eixo:

- Criminalização da Pobreza e Violências Urbanas
- Megaeventos e a Globalização das Cidades
- Justiça Ambiental na Cidade
- Grandes Projetos Urbanos, Áreas Centrais e Portuárias

A proposta do evento mantém uma ligação com os conteúdos do presente blogue, ao mesmo tempo com os diferentes movimentos sociais, organizações políticas e entidades de classe da cidade de Joinville. Fator essencial para destruir a fala de que é um “exército de homem só”, pelo contrário, a insatisfação é grande, os debates, as alternativas e as ações estão transcorrendo em diferentes lugares, somente faltando o nosso olhar com mais cuidado para todas as discussões e ações. Infelizmente a falta de grana impede a minha ida ao evento, somente basta acompanhar a distância e propagar os pontos de vistas elaborados nos dias do evento. 


Acompanhe informações clicando aqui

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Nota importante: O Fórum Social Urbano é um evento de oposição ao capital que tá organizando no Fórum Urbano Mundial, organizado pela ONU.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Filmes na praça


O coletivo local do CMI e o GEPAF promovem a mostra (e debate) de filme Gênero e Feminismo. É na praça Nereu Ramos e entrada franca.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O que está ocorrendo?


Abordem qualquer pessoa que esteja desocupada, incluindo prostitutas e travestis. Se continuarem pelas ruas, abordem novamente. Façam isso dez vezes se for preciso

A palavra que abre a postagem não foi dita por um policial na Revolta da Vacina(1904).Nem por nenhum militar brasileiro em plena Ditadura Militar (1964-85). Menos ainda por um oficial da SS nazista.  Infelizmente, é a marca do tempo presente na cidade da “ordem”, da “paz social” e do “trabalho”. A frase é major Eduardo Luiz do Valles, responsável pela “Operação de guerra” contra o tráfico no centro de Joinville. O problema dá droga jamais será resolvido com repressão policial. Não se discute as questões econômicas, políticas e sociais do consumo de drogas, menos ainda das mulheres, homens e travestis em condição de prostituição. O que está ocorrendo é mais um processo de higienização do centro, enquanto os bairros a juventude não tem perspectiva de futuro, a diversidade sexual é oprimida e o simples fato de andar sem rumo pelo centro é fruto de uma abordagem policial, ou até dez abordagens policiais. 


Daqui um mês


http://geipajoinville.blogspot.com/

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um forte relato do transporte coletivo em Joinville


O blogue não recebe uma grande quantidade de comentários. Ao mesmo tempo, não tenho o hábito de publicá-los como postagem. Na postagem sobre o Dossiê do transporte coletivo publicado na Gazeta de Joinville, um comentário chamou atenção. Autoria é de Ignácio, professor da rede estadual de ensino. Eu não o conheço, mas seu forte relato sobre a situação do transporte coletivo pontuou a necessidade da publicação como postagem. Abaixo está na íntegra:

"Maikon,

Sou professor da rede estadual de ensino e todos os dias tenho que utilizar o sistema de transporte público de Joinville (os ônibus). A linha Tupy-Norte, a qual utilizo, está com hiper-ultra-mega-lotação em vários horários (não há mais horário de pico). Na frente do ônibus está informada uma lotação x para passageiros em pé e sentados. Este número vem sendo extrapolado cotidianamente e em vários horários. Se existe uma normatização para a alotação e ela é ultrapassada, concluo que a segurança dos veículos e da população está sendo posta
em risco. O aviso de que não se pode estacionar nos degraus foi retirado, porque não para nos degraus deixou de ser uma condição de escolha - ou fica nos degraus ou não entra nos ônibus e consequentemente, muitas vezes, chega-se atrasado ao trabalho. Ano passado, Em Curitiba, uma pessoa que estava encostada na porta de um ônibus hiperlotado, caiu e morreu quando a porta, não aguentando a pressão, se abriu. Isso pode acontecer em Joinville também. Além disso, a superlotação, favorece a disseminação de doenças infecto-contagiosas, como Meningite e Gripe A. Liguei dia desses no 0800 47 5001 para reclamar e me deram a resposta dizendo que iam aumentar o número de carros, mas isso não aconteceu. Enquanto isso, pessoas estão sendo obrigadas a esperar nos pontos, pois os ônibus desta linha (e provavelmente outras também), não estão parando nos pontos, por causa da famigerada hiperlotação. tudo isso ao preço exorbitante da tarifa de 2,30 ou até 2,70. Muitos ônibus têm quebrado ultimamente por conta disso e os que não quebram totalmente vem se "arrastando". Eu teria muito mais a descrever, mas por hora é isso. A sensação é de indignação e impotência, já que a maioria da população permancece muda quanto a esse sério problema.

Abraço!

Ignácio."

As considerações de Ignácio são contundentes. Poderá transparecer uma novidade para quem não utiliza o transporte coletivo em Joinville, mas para quem é leitor-a do blogue ou faz dos zarcões o meio de ir e vir o relato não é novidade. Felizmente a insatisfação do Ignácio está vindo a tona, seguidamente estará surgindo a organização da insatisfação. Por isso, falar, publicar, participar e lutar por um transporte coletivo realmente público é de grandíssima importância.