quinta-feira, 25 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone – III


Você escreveu uma mensagem contra o aumento no seu bilhete. Já embarcado puxa um discurso contra o aumento e favorável a criação de um transporte público. Estas são as iniciativas de manifestação até aqui. Agora, é preciso pensar nos dias das manifestações nas ruas da cidade, quando as praças são espaços de expressão ou os cruzamentos das principais ruas centrais são fechadas por determinação dos-as manifestantes.

Quando o trânsito dos ônibus, dos carros e das motos é impedido torna-se provável uma inquietação dos-as ocupantes, que poderão esbravejar. O fundamental é manter a calma, quando for abordado por um motorista nervoso, não responda no mesmo tom de voz. A dica é responder economizando palavras, fale das razões de fechar o cruzamento. E que os responsáveis se encontram na Prefeitura e nas empresas Gidion e Transtusa.

Caso não seja suficiente, basta narrar uma historinha singela das aventuras do revolucionário russo Bakunin. O companheiro Bakunin, em 1848, ao saber da Revolução de 1848, que realizou a República Francesa, preparou a sua bolsa e foi a Paris. Segundo Marx, revolucionário alemão, era Bakunin saber de uma eclosão popular que se mandava para lutar ao lado do povo. Enquanto isso, Marx ficava em casa e, ao lado de Engels, lançava seu manifesto.

Bakunin, ao saber da eclosão da Revolução de 1848 sentiu “um arrepio; cheguei a pé a Valenciennes, devido à interrupção da estrada de ferro.”* A caminhada provocou um atraso de três dias. Bakunin não vivenciou os primeiros momentos da Revolução. Bakunin também não procurou um rosto conhecido para chegar mais rápido a Paris. O que não desanimou o revolucionário russo, pelo contrário, por semanas viveu e lutou lado a lado com a classe trabalhadora francesa.

Nas lutas sociais objetivando mudanças da realidade dos-as explorados-as requer sacrifícios, nem que seja o de chegar atrasados dez minutos numa prova da faculdade, não chegar a tempo para o jornal das dezenove horas e dar uns beijinhos na namorada, antes do sogrão chegar do serviço.  Caso o motorista ou a usuária do zarcão não queira descer e lutar ao seu lado, tudo bem. O importante é criar uma compreensão das razões da luta contra o aumento, nem procure favorecer um motorista mais apressadinho. Faça diferente, procure conquistar o incentivo a manifestação, uma demonstração de um sentimento de apoio as reivindicações **



*O fragmento foi retirado do livro “Textos Anarquistas” de M. Bakunin, cuja seleção e notas são do Daniel Guérin. Lançado pela Editora LP&M, facilmente encontrada nas livrarias e bancas por um preço quase camarada. O livro é um bom começo para conhecer as idéias e histórias do revolucionário Bakunin.
** Tenho sentido a necessidade de aplicar um didatismo desnecessário, infelizmente leitores e leitoras podem não entender o porque usei a historieta bakuninista. Por isso afirmo: Não desejo comparar a Revolução Francesa com a luta contra o aumento.

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