quinta-feira, 29 de abril de 2010

Outras palavras sobre...

Outras palavras sobre o que? Sim, mobilidade urbana. O tema do transporte coletivo não deixou de transcorrer nos meus pensamentos, reflexões e ações. Na mesma medida, em muitas vezes  maior, mobiliza meus companheiros e minhas companheiras de maneira mais intensa. Por exemplo, militantes sociais ligados a Frente de Luta por Transporte Público estão realizando trabalhos de base nas escolas públicas.

As outras palavras são Sérgio Gollnick, que sempre está mobilizado para discutir a cidade, inclusive o tema da mobilidade urbana. Em outras circunstâncias já travei algumas discussões com ele. Hoje, venho indicar as considerações de Sérgio Gollnick sobre o tema do transporte coletivo na cidade. Não concordo em 100% com os apontamentos, mas não posso deixar de afirmar que a visão política e técnica de Sérgio Gollnick têm grandes contribuições ao debate sobre mobilidade urbana.

Leia:

Uma política para o transporte público (leia aqui)
Desoneração no transporte público - como? (leia aqui)
Sem aumento nem política pública (leia aqui)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Um rápido convite

 panfleto do evento.
 
O 1ª de Maio é um dia de luta e luto na memória da classe trabalhadora. A trajetória de luta está sendo deixada de lado, por isso o Pró-CAO está realizando a Iª Feira de Cultura Libertária. Clique aqui e tenha mais informações.

sábado, 24 de abril de 2010

O que escreveu a Frente de Luta pelo Transporte Público.

O "não aumento" do Carlito rendeu algumas considerações da Frente. Faço a reprodução da nota da Frente de Luta pelo Transporte Público.

"R$ 2,30 JÁ É UM ROUBO

No começo desta semana (dia 19 de abril), a Prefeitura de Joinville declarou em nota oficial que não aumentará a tarifa do transporte “público” até Janeiro de 2011. A primeira reação dentro dos movimentos sociais foi de espanto, pois, até o momento, a articulação entre o prefeito Carlito Merss e os donos da Gidion e Transtusa, Moacir Bogo e Beno Harger, sinalizava um aumento de R$2,50 ou até R$2,65. 

Nos primeiros desdobramentos do possível aumento, os movimentos sociais trabalharam em uma intensa atividade de base nas escolas de ensino fundamental, médio e superior. O trabalho foi realizado através de assembleias, visando debates com os jovens, o que resultou em uma grande adesão. Também foram realizadas palestras em salas de aula e panfletagens em frente às escolas. Esta primeira etapa de diálogo foi finalizada com uma grande manifestação na Univille, onde foi cobrado dos chefes de departamentos uma posição, pois todo aumento interfere na permanência dos acadêmicos nas universidades. É válido lembrar que existe um número expressivo de professores universitários com cargos políticos na atual gestão da prefeitura. É necessário que o corpo docente compreenda que o descolamento urbano dos acadêmicos também deve ser uma preocupação da administração da Univille, afinal, um aumento pode prejudicar seriamente o processo de construção do conhecimento universitário.

Considerando o grande desgaste da atual prefeitura perante vários setores da sociedade como: população em geral, imprensa e movimentos sociais, e lembrando que este ano haverá períodos eleitorais, não se pode deixar de citar o tamanho do colégio eleitoral de Joinville. A prefeitura optou pela decisão política para não prejudicar suas pretensões eleitorais partidárias. Assim que o possível aumento das passagens foi divulgado, a prefeitura abafou o aumento da tarifa da água que ocorreu durante a discussão do aumento da tarifa, sendo que esta última, possui um impacto econômico maior na renda da população joinvilense.

O adiamento do aumento não é o fim do debate, pois em janeiro de 2011 o aumento ocorrerá. A população deve se preparar junto com os movimentos sociais, pois, esta é a única forma de toda a população sair às ruas e exigir seus direitos básicos previstos na constituição. É dever de todos colocarem um fim a este ciclo de mais de quatro décadas de exploração. Exploração controlada por apenas duas famílias oligarcas: Bogo e Harger. A população deve exigir um modelo alternativo e independente que fuja da proposta das empresas e da prefeitura. 

Outro fato, que cada vez se mostra mais conciso, é o alinhamento de pensamentos e estudos sobre mobilidade urbana por parte de Moacir Bogo, políticos e técnicos da Prefeitura. Todos argumentam em favor de um modelo de transporte coletivo baseado nos projetos de Bogotá e Pereira, cidades colombianas. Porém, grande parte dos usuários e usuárias joinvilenses desconhecem a realidade do transporte colombiano. Os movimentos sociais apontam outros modelos alternativos, que se diferenciam de forma clara e objetiva sobre o conceito de transporte e a mobilidade urbana. Estes movimentos pretendem trazer um serviço público de verdade, que assuma o interesse social acima dos lucros e das visões empresariais oportunistas. Nesse contexto, deve-se exigir um espaço democrático para que todos os atores sociais possam propor uma alternância estrutural ao sistema de transporte coletivo de Joinville. A construção de um fórum, de caráter deliberativo, é a forma mais democrática para atender essas diferentes perspectivas da população joinvilense. Este novo modelo de transporte não pode ficar na mão dos poderosos da cidade, pelo contrário, o projeto de transporte deve ser escolhido de forma popular e democrática, servindo assim, aos interesses coletivos."

Nova versão

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Um outro ponto de vista

 Uma "pequena" fila para acessar o transporte coletivo, em 2010, Bogotá

As empresas Gidion e Transtusa estão fazendo a defesa do modelo de transporte coletivo aplicado em Bogotá. O mesmo ponto de vista está sendo defendido pela Prefeitura Municipal de Joinville. Por isso, um outro ponto de vista sobre o transporte coletivo de Bogotá é de grande importância. Clique aqui e leia.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

"O boi tem cura" - João do Passe

O cancioneiro libertário João do Passe passou por Joinville. No contexto contra o aumento e na luta por um transporte público,  gravou a canção "O boi tem cura". Vale ouvir e pensar na realidade do transporte coletivo de Joinville.




Presumo que o rumo da cela é sempre do burro montado
Presumo que o tempo passado ainda nem foi cobrado

Resumo dos dias de chuva que passo no boi amarelo
Presumo que o dono do boi não me vê de seu castelo
Arrumo meu tempo, meu ouro e minhas botas de passear
e vejo que o boi me cobra cada vez mais pra montar

(e a culpa é minha ou do boi? DE NENHUM DOS DOIS!)

Corre que o boi fica louco se ninguém cura a criatura
Corre que o dono do boi alimenta essa loucura

Corre, faz alguma coisa
Não deixa o boi te pegar
Cuidado que a culpa é do dono
O boi ainda pode sarar

Procura a cura procura, salva o boi dessa desgraça.
Que o preço do ouro pro boi é a gente quem passa.

Procura a cura procura, tira o rei do seu castelo

Pinta o rei de vermelho e bota num poste amarelo

terça-feira, 20 de abril de 2010

No fervo dos acontecimentos


Eu pensei em escrever sobre o adiamento do aumento na tarifa do zarcão. Vou esperar algumas horas, aí reproduzo a leitura dos fatos da Frente de Luta pelo Transporte Público. A Frente é o espaço que estou inserido na luta, assim como diversos-as compas.

No fervo dos acontecimentos, a opinião coletiva de diversos movimentos sociais e entidades são mais importantes, do que falas e escritos isolados e distantes da democracia das ruas.

Aliás, a Frente realizou trabalhos de base em diversas escolas públicas e privadas, envolvendo um número expressivo de estudantes do ensino fundamental e médio. Clique aqui e leia sobre os trabalhos de base. 

Em breve, volte aqui.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A força de um projeto de poder


Via twitter da PMJ fui informado da decisão do prefeito Carlito Mers (do PT) em não conceder o aumento na tarifa do zarcão. A notícia passou a circular por volta das 11 horas da manhã de hoje. As recepções expressas nas redes sociais e nas primeiras ligações passaram por surpresa, espanto ou se era uma mentira. É impossível concluir uma opinião logo de cara, quando as informações oficiais estão restritas. Publico dois pontos:

A)      Já circulava, aos menos nas leituras dos movimentos sociais e entidades reivindicatórias de um transporte público, a possibilidade de não sair o aumento na tarifa do zarcão. O prefeito Carlito Mers (do PT) não ia correr risco de prejudicar os planos eleitorais para o governo do Estado de Santa Catarina. Levando em consideração o tamanho do colégio eleitoral de Joinville. Não podemos esquecer quanto Joinville foi importante para dar a vitória ao famigerado Luis Henrique da Silveira (do PMDB) em outras campanhas estaduais.

B)       Não aumentar em 2010 não resolve o problema do transporte coletivo. As empresas Gidion e Transtusa continuarão a explorar o direito de ir e vir. A abertura de licitação para novas empresas aprofundará ainda mais a exploração. É preciso a construção de um transporte público e gratuito. R$2,30 continua sendo um roubo!

O ato prefeito Carlito Mers não conceder o aumento não significa uma preocupação com as demandas populares. É a expressão de um projeto de poder conectado com as três esferas: municipal, estadual e federal. Na mesma medida, Carlito “fica numa boa” com os-as eleitores-as de Joinville, ao mesmo tempo com as famílias Bogo e Harger – Gidion e Transtusa respectivamente. Enquanto isso, o transporte continuará nas mãos das duas famílias, quem sabe vá para mão de mais uma família ou corporação. É preciso continuar a bater na tecla de que mobilidade urbana não poderá ficar sob controle de empresas, mas de fato público, buscando aplicar a gratuidade e a participação dos-as usuários-as no controle do transporte.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Entrevista com Dani (do DCE da UNIVILLE)



 A Dani, presidenta do Diretório Central dos Estudantes da UNIVILLE, está participando da construção da luta contra o aumento e por um transporte coletivo público. A "grande mídia" local não procura documentar e nem informar sobre as ações dos movimentos sociais e entidades representativas. Por isso, mesmo sem ter diploma de jornalista nem querendo ser jornalista, mas buscando contribuir com a militância, publico uma breve entrevista com a Dani.


Quais são os gastos mensais de um estudante com o transporte coletivo?

Um estudante gasta por mês só com o transporte coletivo R$92,00 (na compra antecipada), caso ele compre a passagem dentro do ônibus "embarcada", o mesmo paga R$108,00.

Qual o papel do DCE (Diretório Central dos Estudantes da UNIVILLE) na luta contra o aumento na tarifa do zarcão?

O DCE tem o papel social e político de estar ao lado dos estudantes, reivindicando sempre as bandeiras históricas do movimento estudantil Brasileiro. Nesse sentido nossa gestão apóia irrestritamente junto a outras entidades organizadas a luta contra o aumento, que a nosso ver é ilegal, pois existe uma serie de irregularidades que partem das planilhas apresentadas pelas empresas, como também a irregularidade da concessão que permite a duas famílias oligárquicas provincianas “Bogo e Harger” a explorar toda a população Joinvilense a mais de quarenta anos.

O DCE está realizando algumas ações contra o aumento. Você poderia discorrer sobre elas?

O DCE iniciou na noite de ontem (15/04/2010) junto a outros movimentos sociais e estudantis, uma assembléia estudantil e formalizaram a leitura e a entrega de um manifesto contra o aumento abusivo da passagem de ônibus. Foi pedido o apoio de todos os departamentos da UNIVILLE, pois acreditamos que esse reajuste na passagem de ônibus impossibilitara vários acadêmicos de permanecerem na UNIVERSIDADE.

Na noite de quinta-feira ocorreu uma assembléia de estudantes com a pauta contra o aumento. O que motiva o DCE acreditar que as assembléias têm força política nessa luta?

O que faz com que o DCE chame os acadêmicos para assembléias, é que acreditamos que esta é a forma mais transparente e democrática de permitir que as pessoas tenham o direito de opinar e participar das decisões coletivas que se organizam nas ruas. Este modo de organização mostra-se eficiente pela própria praxes dos estudantes da UNIVILLE.Mostrou-se eficiente também para impedir os intentos de organizações políticas partidárias conservadoras e dogmáticas “direita e esquerda” e levar o povo a ser massa de manobra.

Na assembléia uma carta foi aprovada. No que consistia o documento? (a Dani reproduziu o documento)

O Diretório Central dos Estudantes, vem através deste documento pedir a esta Instituição de Ensino Superior um apoio formal na luta contra mais um AUMENTO abusivo do transporte coletivo na cidade de Joinville.
 Estamos aglutinando varias forças sociais em torno desta causa, pois entendemos que o transporte coletivo é essencial para efetivar a mobilidade urbana como um todo, dando acessibilidade de fluxo de pessoas e capitais, ajudando desta forma o usufruto democrático dos espaços da cidade a todos seus cidadãos.
A educação como outros vários setores, será fortemente penalizada se as tarifas dos transportes aumentarem, dificultando principalmente os estudantes que já se encontram em dificuldades de arcar com os custos da própria educação, lembrando esta Instituição de Ensino, que só no ano passado se contabilizaram 1000 acadêmicos inadimplentes, uma situação em que os gastos com o ensino se contabilizam ainda em gastos com transporte para ter acessibilidade a esta educação, um gasto que segundo o IBGE é o terceiro na renda de todos os brasileiros em custos econômicos.
            Portando fica evidente, a importância das Instituições de Ensino, sejam elas públicas ou não, apoiarem irrestritamente estas lutas sociais em prol da mobilidade urbana de toda a cidade, defendendo dentro desta mobilidade o acesso permanente dos estudantes a seus locais de estudos. Evocamos os princípios norteadores da Univille no cumprimento do seu papel junto à sociedade Joinvilense, no tocante principalmente no item cidadania e responsabilidade social. O D.C.E da Univille já cumpre perfeitamente este papel defendendo com coerência os interesses sociais dos estudantes, bem como os Centros Acadêmicos e o apoio de classe de outros movimentos sociais, organizações políticas constituídos nesta cidade como: M.P.L, MST, PRÓ-CAO, DANMA (UDESC), DACS (IELUSC) entre outros que se organizam para mobilização social na cidade e no Brasil.
O D.C.E - Univille organizado junto a outras entidades, convoca esta Instituição de Ensino a somar forças com estas organizações sociais para barrar este aumento de tarifa, que consideramos:

1- “Imoral”, pois já se vão mais de quatro décadas de exploração ilegal do transporte coletivo, onde se contabilizam varias perseguições violentas aos movimentos sociais como o MPL.

2-“Ilegítimo”, pois as planilhas de custo são totalmente produzidas pelos próprios beneficiários das empresas, estando à prefeitura em um papel de conivência política com estas empresas ao apoiar estes estudos.

3 -“Inviável”, pois esta tarifa é uma das mais altas do Brasil e onera de forma violenta o bolso e a mobilidade dos Joinvilenses.

4- E finalmente “oportuno”, pois este lucro é constituído de forma irresponsável e deixa debilitado o desenvolvimento social e econômico de todos os munícipes de Joinville.

O DCE se mantém contra o aumento da tarifa do zarcão. E na questão de transporte público e gratuito, qual é a bandeira da atual gestão do DCE?

Em questão ao transporte público e gratuito o DCE se posiciona favorável, acreditamos que é um direto de todo cidadão, de ir e vir. O governo, seja Federal, Estadual ou Municipal, tem que arcar com essa responsabilidade, pois é um direito do povo. Existem vários modelos de transporte publico e gratuito, acreditamos que se a discussão fosse ampliada com outros movimentos sociais, se a PMJ realizasse um fórum deliberativo para ouvir a necessidade da população teríamos muitas opções.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Agora é a falta de passageiros

A chamada "Agora é a falta de passageiros" já anuncia o conteúdo da reportagem publicada na semana passada na Gazeta de Joinville. A reportagem volta desmascarar as mentiras das empresas Gidion e Transtusa. Clique aqui e leia.

No fundo, a reportagem não produz nenhuma informação nova para quem é usuário-a do transporte coletivo. O importante é bater na tecla das mentiras levantadas pelas empresas de transporte coletivo.

Aumento acima da inflação

"De acordo com a pesquisa de orçamentos familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Catarina é o estado em que as famílias mais gastam com transporte coletivo (cerca de 21% do orçamento doméstico). O alto preço da tarifa em Joinville contribui para que o estado tenha esse dado nada favorável."

O gráfico e fragmento textual foram retirados do estudo do PSOL de Joinville. Vale a pena conferir a constatação que tarifa teve aumento acima da inflação.

terça-feira, 13 de abril de 2010

O tiro no pé do IPPUJ


Quando o IPPUJ lançou a pesquisa sobre a mobilidade em Joinville, alguns dos seus políticos de plantão soltaram a voz de alegria. A novidade da pesquisa, deixando no ar que iria abrir um novo caminho ao paraíso. A publicação dos primeiros dados já apontam o revólver ao pé do IPPUJ.



O jornalista Jefferson Saavedra, na sua coluna de hoje, escreveu:


 “Em contagem de tráfego realizada entre 2006 e 2007, por exemplo, 7,8% dos deslocamentos eram feitos de bicicleta. Agora, passou de 10,3%. É um crescimento surpreendente. O que não causa surpresa é o avanço do transporte individual motorizado (carro e moto) em detrimento do coletivo (ônibus). Nem poderia ser diferente. Em 2002 (ano da estatística mais antiga do Detran), eram 105 mil carros. Hoje, Joinville tem 174 mil licenciados.

A frota de motos e motonetas passou de 22 mil para 43 mil, quase dobrando. Juntos, os dois tipos de veículos respondem por algo em torno de 65% dos deslocamentos. O restante anda de ônibus ou a pé.


O que consiste o tiro no pé do IPPUJ?


Os técnicos urbanos estão privilegiando os transportes não motorizados, as caminhadas e pedaladas? Os números apontam o contrário, o uso de carros e motos. Afinal, a lógica privada é que manda no transporte coletivo, fazendo da tarifa ser um roubo. Acompanhada das malditas publicidades da indústria automobilística, o sonho da classe média. Os 10,3% dos-as corajosos-as que pedalam, os-as coitados-as. As ruas da cidade estão planejadas para a velocidade dos-as donos-as das razões, os-as motoristas. Quem se arrisca, tem mais chance de beijar o meio-fio do que chegar ao seu destino. O IPPUJ, ao se arriscar na pesquisa, não imaginou que estaria dando um tiro no pé. O que se vive é um descaminho em relação a mobilidade urbana, se valorizando o status de um carro e fodendo quem utiliza os zarcões e as zicas.

Recado ao Carlito Mers

Ir até a escola, ao jogo do jec, ao teatro, ao trabalho, ao hospital e tantos outros lugares da cidade... tá caro pra caramba. "2,30  é um roubo!"

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entrevista com Lúcio Gregori

Assistir a entrevista com Lúcio Gregori sobre o tarifa zero é de grande validade. A justificativa é o contexto de aumento da tarifa do transporte coletivo, em plena gestão petista, quando a manutenção do transporte coletivo continua na perspectiva privada. O debate sobre as diferentes maneiras da organização do transporte coletivo precisa acontecer com mais intensidade. Ainda mais quando se discute alternativas públicas. A  perpesctiva da gratuidade dentro de uma lógica pública está inseridade nas discussões e realizações de Lúcio Gregori




sábado, 10 de abril de 2010

Transporte público em Hasselt, Bélgica

A cidade Hasselt, na Bélgica, realiza um modelo de transporte público e gratuito. Na postagem de hoje faço a reprodução de um artigo publicado no Tarifa Zero:


"A cidade de Hasselt, capital da província de Limburg, na Bélgica, faz parte de um pequeno, mas crescente, número de cidades ao redor do mundo que estão oferecendo tarifa zero no transporte público.
 
Desde 1º de julho de 1997, as linhas municipais de Hasselt são de uso gratuito para todos e, no caso de linhas centrais, até mesmo não-habitantes da cidade usufruem da tarifa zero.

A idéia do transporte público gratuito teve início em meados de 1996, a partir da Política Integrada de Transporte, desenvolvida pelo ministro de Transporte de Flandres (região flamenga, no Norte do país) Eddy Baldewijsn, que estabelecia o transporte público como prioridade.  A cidade de Hasselt foi uma das primeiras a subscrever o plano. O prefeito Steve Stevaert propôs conceder primazia ao transporte público sob o lema “a cidade garante o direito à mobilidade para todos”.

Aspectos do sistema de transporte
As linhas locais são chamadas de Linhas H e funcionam das seis da manhã até sete da noite. Há um intervalo máximo de 30 minutos de espera entre um ônibus e outro. Em algumas linhas são adicionados ônibus extras nos horários de pico – das sete às nove da manhã e das quatro às seis da tarde. As linhas circulares da região do boulevard têm intervalos de cinco minutos e as circulares do centro, intervalos de dez minutos. Quase todos os ônibus locais são adaptados para cadeirantes.

O serviço regional de transporte (Linhas Vermelhas) é gratuito para moradores de Hasselt, desde que mostrem seus cartões de identidade para o motorista do ônibus. Quem não mora em Hasselt paga a tarifa comum, exceto crianças com menos de 12 anos. As linhas regionais Azuis têm uma tarifa própria. Na combinação do uso de linhas regionais e locais, os passageiros pagam a tarifa comum pela viagem completa.

Controle tarifário e inspeção
Nas Linhas H, passageiros não precisam apresentar nenhum tipo de documento. Não há fraude possível, já que o serviço é gratuito. Ainda assim, as rotas são monitoradas para propósitos de controle de qualidade.

Resultados da tarifa zero
Após a introdução da política de tarifa zero, o uso do transporte público aumentou imediatamente e se manteve alto, sendo, hoje, dez vezes maior se comparado ao período anterior. O site oficial de Hasselt registra o crescimento da seguinte forma:
Ano Passageiros Porcentagem
1996 360 000 100%
1997 1 498 088 428%
1998 2 837 975 810%
1999 2 840 924 811%
2000 3 178 548 908%
2001 3 706 638 1059%
2002 3 640 270 1040%
2003 3 895 886 1113%
2004 4 259 008 1217%
2005 4 257 408 1216%
2006 4 614 844 1319%
Por garantir acesso à tarifa zero no transporte público, o site de notícias http://gva.be descreveu o cartão de identidade dos habitantes de Hasselt da seguinte forma: “vale como ouro”."


FONTE: http://tarifazero.org/2009/08/13/transporte-publico-gratuito-em-hasselt-belgica/

Duas opiniões sobre o transporte coletivo

"Mais um aumento na tarifa de ônibus?" é o nome do artigo assinado pelo Hernandez, inicialmente publicado no Jornal Notícias do Dia, 18 de março de 2010. O vereador Adilson Mariano, no dia 06 de abril de 2010, também publicou suas considerações no mesmo jornal, leia aqui*


*Tanto Hernandez (do PSOL) e Adilson (do PT) não estão compartilhando completamente do meu ponto de vista, inclusive dos meus compas de organização. Porém, o debate por um transporte coletivo público é de grande importância, o precisa ser construindo sem as tradicionais defesas de teses, mas numa construção coletiva do transporte público. 



O processo é lento


"O processo" por Be Negão e os Seletores de Freqüência
O vídeo de sexta-feira foi uma sacanagem de leve com a classe média.  Agora faço uma postagem de música dançante para quem luta por um transporte coletivo público. Afinal, "O processo é lento. Tem que trabalhar, trabalhar feito um operário (só que sem horário)"



sexta-feira, 9 de abril de 2010

Transporte privado, uma questão de classe


O vídeo clipe "Classe média", do Marx Gonzaga, lembra muito os pensamentos dos-as defensores-as do transporte coletivo nas mãos das empresas.

O aumento na tarifa do zarcão e o anarquismo


Eu já escrevi por aqui sobre o meu posicionamento político.* Caso ainda não tenha ficado claro, reafirmo que faço parte de uma tradição histórica ligada ao socialismo libertário, sendo mais claro, a titulação de anarquista é o que cabe para ficar mais evidente. Antes de pensar os convencionais argumentos wikipedianos referente ao anarquismo, por favor, clique aqui e leia uma breve carta de apresentação da organização que sou membro, Pró-CAO. O meu pedido de leitura do documento anarquista não é para evangelização, somente esclarecimento. 

Depois da introdução ideológica da parada, vamos ao transporte coletivo e mais um aumento na tarifa. 

O Pró - Coletivo Anarquista Organizado, que no dia de hoje lançou um documento referente ao aumento na tarifa do transporte coletivo. Clique aqui e leia.


*Caso alguém argumente que estou (estamos) “anarquizando o debate sobre o transporte”, por favor, deixe de bobeira, o vivonacidade na cidade é um espaço individual e o debate é feito em pluralidade, menos na mentalidade dos fascistas de mercado e dos escoteiros do totalitarismo sem poder.
 


quinta-feira, 8 de abril de 2010

Atualização do "Barrar o Aumento"

O blogue Barrar o Aumento recebeu atualização referente a luta contra mais um aumento no transporte coletivo. Reproduzo a nota:

"Nós, usuários e usuárias do transporte coletivo, ainda não compreendemos o último reajuste na tarifa do zarcão para R$ 2,30, nem descansamos das seguidas manifestações contra o AUMENTO. Os políticos e empresários estão querendo a nossa permanência nas ruas.

Os empresários em questão são da família Bogo e Harger, proprietários da Gidion e Transtusa respectivamente, junto ao Prefeito Carlito Merss estão articulando um novo AUMENTO da tarifa - a informação é chegará aos R$ 2,65.

No ano passado não deixamos barato, mostramos as nossas forças. Fizemos das praças, escolas, universidades e das ruas os nossos espaços políticos, pressionamos os vereadores e as vereadoras por um posicionamento contrário o AUMENTO. Lembra-se da ocupação na Câmara de Vereadores-as? No primeiro momento não obtivemos êxito, já que o AUMENTO não foi revogado, porém as manifestações criaram um mal estar tremendo ao Prefeito Carlito Merss e em todos os seus “técnicos em transporte”.

Em 2010, antes de sair qualquer número exato de reajuste, precisamos de mais organização e mais participação de todos os usuários e todas as usuárias. É nesse sentindo que convidamos VOCÊ a participar da Frente de Luta pelo Transporte Público, criada no último AUMENTO. O critério de participação é: lutar contra o AUMENTO da tarifa e buscar construir um transporte PÚBLICO para Joinville.

 
ENTRE EM CONTATO:

 http://barraroaumento.blogspot.com/
(47)3461-9148 ou (47)9658-4610"

2,30 é um roubo !

Já foi escrito (aqui e aqui) sobre as intervenções nos bilhetes dos zarcões. A cada dia mais cartões estão sendo espalhados com mensagens contra o aumento.


No vídeo de ontem (veja aqui) algumas intervenções nos muros da cidade foram noticiadas. O que publico hoje é uma foto com uma mensagem no muro do Bom Jesus-Iluesc, ao lado da Agência dos Correios, no centro de Joinville. 




A mensagem de "2,30 é um roubo" está se consolidando como o grito de luta contra o aumento.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Deu no Canal Brasil Esperança

Via twitter da @biatvbe publico a reportagem, do Canal local Brasil Esperança, sobre o aumento solicitado a Prefeitura pelas empresas Gidion e Transtusa. Os detalhes são as pichações contra o aumento e as opiniões dos-as usuários-as.


Mais sobre o aumento da tarifa 2010, clique aqui.



Um ponto no Paraíso


Na noite de segunda-feira um estudante, ligado ao Grêmio do Nagib Zattar, Colégio no Jardim Paraíso, entregou a edição 23 do Jornal Paraíso, organizado por entidades do Bairro em parceria com o NECOM do Bom Jesus-Ielusc. A iniciativa do jornal é muito válida, pois faz circular informações do Bairro Jardim Paraíso. Está virando tradição, na "grande mídia local", somente falar do Bairro no aspecto da violência, sem considerar as produções no campo da educação, da arte, da política e da comunicação. Deixando de lado que a violência também ocorre nas casas da classe média e nas ruas do Bairro América.

Na edição 23 chamou atenção a foto (ao lado) de Rolf Otto, morador do Bairro, retratando o estado de um abrigo para usuários e usuárias do transporte coletivo urbano do Jardim Paraíso. A responsabilidade da manutenção é da Prefeitura Municipal de Joinville, cujo desleixo é um demonstrativo de como está distante da realidade dos usuários e usuárias do transporte coletivo. Aproximação da Prefeitura é com a Gidion e Transtusa. Um outro exemplo é pensar  "alternativas" ao transporte somente na lógica privada, nunca na perspectiva pública, inserido uma participação dos seus funcionários-as e dos-as usuários-as. No meio disso tudo, quem usa o zarcão no Paraíso, precisa ficar de pé e pegando chuva.


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terça-feira, 6 de abril de 2010

O direito de ir e vir no transporte coletivo pivado:


“... para a maioria absoluta dos trabalhadores os direitos de ir e vir, em cidades massificadas e grandes como as nossas, acaba aí pelo décimo quinto, décimo sexto dia útil do mês, porque acabou o dinheiro para pagar a passagem do ônibus. O máximo ele vai de casa para o trabalho e do trabalho para casa, não vai a lugar nenhum mais, porque já gastou o transporte do mês. Ele não tem mais o que fazer, vai e vem no máximo do mercadinho da esquina, que é onde ele pode continuar pendurando suas contas das despesas do mês. Aí acaba seu direito de ir de vir...”
 
Fragmento da fala de Paulo César Carbonari (na foto acima), militante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, durante a primeira aula do Curso da Escola de Formação Popular em Direitos Humanos – do Centro de Direitos Humanos de Joinville "Maria da Graça Bráz" – no dia 07 de Agosto de 2008.

As artes e o aumento na tarifa do zarcão

A primeira guerra mundial (1914-19), gerou uma tremenda crise na Europa. Um grupo de artista, em Zurique e Berlim (o grupo alemão é o mais interessante), argumentaram que não tinha razão em fazer arte, a guerra sustentava uma crise no continente europeu, acompanhados de outras visões sobre arte, política e de mundo, passaram a marcar a história com o dadaísmo, repleta de inovação artísticas, entre elas a fotomontagem.

O momento presente não é uma grande crise, de abalar as estruturas.  A crise é no bolso de quem realmente produz a cidade, mesmo quando os aumentos na tarifa do zarcão aparenta  tá naturalizado. Em outro momentos históricos, quando se naturalizou uma crise, a classe artística desenvolvia o papel de lançar perguntas as tais naturalizações.

Por aqui, a classe artística, envolvida em todos os processos do fazer (e se fazer) a vida na cidade, acabou permitindo a sua naturalização frente aos problemas sociais, políticos, econômicas e culturais. Um aumento na tarifa do zarcão, na taxa da água, as péssimas condições da rede estadual de educação são problemas sem nenhuma ligação para quem faz teatro, dança, cinema, artes plásticas e afins. Eu conto nos dedos os-as envolvidos-as nos protestos e nos debates para de criação de alternativas.

A classe artística não precisa ir as ruas, em tempos de letargia, o simples fato de se perceber como parte de um todo já faz um certo sentido. Percebendo o quanto o teatro, as artes plásticas, o cinema, a música e outros-as estão numa tremenda dependência do transporte coletivo e, acima de tudo, passar a falar e discutir a cidade, ampliando os horizontes e as realizações sempre foram mecanismo para criações e transformações no fazer arte.Assim, possibilitando questionamentos frente as naturalizações. 


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A fotomontagem é de John Heartfield, socialista e artista ligado ao grupo dadaísta de Berlim

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A mobilização da classe política

É com grande felicidade que percebo a mobilização  assistencial da classe política de Santa Catarina. Meses atrás o ex-governador Luis Henrique da Silveira(do PMDB) foi mais vanguarda do que qualquer dirigente trotskista, alugou a Piazza Itália, propriedade da família Bogo, para construir a sede Escola d’Arte de Firenze. A campanha assistencial para  a família Bogo estava caindo no ostracismo, até na última semana quando blogue voltou a bater nessa tecla. Felizmente, o astuto leitor do blogue e novo governador do Estado Leonel Pavan (do PSDB - na foto ao lado) se atentou e convidou o Moarcir Bogo para compor o seu governo, em cargo ainda não divulgado. A solidariedade é de uma beleza maravilhosa, mobiliza todos os setores da política, do PT aficcionado para aumentar mais uma vez a tarifa do zarcão passando aos velhos pemedêbistas e até os tucanos. Viva a solidariedade suprapartidária!!!

domingo, 4 de abril de 2010

Ausências


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Ausências é o nome do trabalho do fotógrafo argentino Gustavo Germano. O autor pesquisou álbuns de familiares, a maioria dos anos setenta. Gustavo Germano buscou registrar o mesmo cenário e as pessoas no tempo presente, infelizmente não encontrou êxito, já que ditadores militares argentinos, assim como no Brasil, buscaram silenciar qualquer voz dissidente.  Clique aqui e acesse as demais fotografias.


P.S É comum ouvir que a ditadura militar na Argentina foi violenta, aqui não chegou aos pés de lá.  Ditadura é ditadura, todas são sustentadas por prisões políticas, desigualdades, violênicas e mortes. Então, o argumento não tem sentido, nem escamotear a presença da Ditadura Militar (196485) em Joinville.


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Esnobar por aí

Em 1991 o prefeito da cidade era Luiz Gomes, a moeda corrente era o cruzeiro e a figura do cobrador estava no zarcão.  Dezenove anos depois, o prefeito mudou, a moeda é o real e no zarcão não tem o cobrador. Uma coisinha continua igual: Os empresários solicitam um aumento e o prefeito vai assinar rapidamente. E hoje, será que o pessoal do carro vai deixá-lo na garagem para esnobar por aí ?



Informações da ilustração: Carlos Horn - Publicado no jornal A notícia, sete de julho de 1991

A falência da família Bogo

 “O serviço não pode ser corrigido pela inflação. Existe uma lei que nos garante o aumento pelos insumos. No ano passado, a inflação chegava ao valor de R$ 2,27, daí falaram que nos deram três centavos para ajudar na gratuidade dos idosos. Isso não acontece. Na verdade, estamos recebendo seis centavos a menos”.                            Moacir Bogo, no jornal de hoje.

O casal  Moacir e Anair Bogo (na foto ao lado) estão quebrados. A falência bateu na porta do casal, é de partir o coração. Eu não posso pensar a família Bogo ausente de todas as festas da elite joinvilense, todas as suas roupas sendo comercializadas no brechó do Tio Atala, sua biblioteca de literatura italiana comercializada a preço de banana na Banca Colin e , o pior, todos seus móveis sendo vendidos no antiquário do Gaúcho, na Rua Dona Francisca.  Gente, precisamos mobilizar a AJOS numa campanha assistencial a família que tanto fez por Joinville. Afinal, vai que usuários e as usuárias vão as ruas protestarem e esse governinho do PT engula a pressão popular. O que dos donos da cidade?