terça-feira, 6 de abril de 2010

As artes e o aumento na tarifa do zarcão

A primeira guerra mundial (1914-19), gerou uma tremenda crise na Europa. Um grupo de artista, em Zurique e Berlim (o grupo alemão é o mais interessante), argumentaram que não tinha razão em fazer arte, a guerra sustentava uma crise no continente europeu, acompanhados de outras visões sobre arte, política e de mundo, passaram a marcar a história com o dadaísmo, repleta de inovação artísticas, entre elas a fotomontagem.

O momento presente não é uma grande crise, de abalar as estruturas.  A crise é no bolso de quem realmente produz a cidade, mesmo quando os aumentos na tarifa do zarcão aparenta  tá naturalizado. Em outro momentos históricos, quando se naturalizou uma crise, a classe artística desenvolvia o papel de lançar perguntas as tais naturalizações.

Por aqui, a classe artística, envolvida em todos os processos do fazer (e se fazer) a vida na cidade, acabou permitindo a sua naturalização frente aos problemas sociais, políticos, econômicas e culturais. Um aumento na tarifa do zarcão, na taxa da água, as péssimas condições da rede estadual de educação são problemas sem nenhuma ligação para quem faz teatro, dança, cinema, artes plásticas e afins. Eu conto nos dedos os-as envolvidos-as nos protestos e nos debates para de criação de alternativas.

A classe artística não precisa ir as ruas, em tempos de letargia, o simples fato de se perceber como parte de um todo já faz um certo sentido. Percebendo o quanto o teatro, as artes plásticas, o cinema, a música e outros-as estão numa tremenda dependência do transporte coletivo e, acima de tudo, passar a falar e discutir a cidade, ampliando os horizontes e as realizações sempre foram mecanismo para criações e transformações no fazer arte.Assim, possibilitando questionamentos frente as naturalizações. 


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A fotomontagem é de John Heartfield, socialista e artista ligado ao grupo dadaísta de Berlim

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