segunda-feira, 19 de abril de 2010

A força de um projeto de poder


Via twitter da PMJ fui informado da decisão do prefeito Carlito Mers (do PT) em não conceder o aumento na tarifa do zarcão. A notícia passou a circular por volta das 11 horas da manhã de hoje. As recepções expressas nas redes sociais e nas primeiras ligações passaram por surpresa, espanto ou se era uma mentira. É impossível concluir uma opinião logo de cara, quando as informações oficiais estão restritas. Publico dois pontos:

A)      Já circulava, aos menos nas leituras dos movimentos sociais e entidades reivindicatórias de um transporte público, a possibilidade de não sair o aumento na tarifa do zarcão. O prefeito Carlito Mers (do PT) não ia correr risco de prejudicar os planos eleitorais para o governo do Estado de Santa Catarina. Levando em consideração o tamanho do colégio eleitoral de Joinville. Não podemos esquecer quanto Joinville foi importante para dar a vitória ao famigerado Luis Henrique da Silveira (do PMDB) em outras campanhas estaduais.

B)       Não aumentar em 2010 não resolve o problema do transporte coletivo. As empresas Gidion e Transtusa continuarão a explorar o direito de ir e vir. A abertura de licitação para novas empresas aprofundará ainda mais a exploração. É preciso a construção de um transporte público e gratuito. R$2,30 continua sendo um roubo!

O ato prefeito Carlito Mers não conceder o aumento não significa uma preocupação com as demandas populares. É a expressão de um projeto de poder conectado com as três esferas: municipal, estadual e federal. Na mesma medida, Carlito “fica numa boa” com os-as eleitores-as de Joinville, ao mesmo tempo com as famílias Bogo e Harger – Gidion e Transtusa respectivamente. Enquanto isso, o transporte continuará nas mãos das duas famílias, quem sabe vá para mão de mais uma família ou corporação. É preciso continuar a bater na tecla de que mobilidade urbana não poderá ficar sob controle de empresas, mas de fato público, buscando aplicar a gratuidade e a participação dos-as usuários-as no controle do transporte.

2 comentários:

Cristiano Alves disse...

Caro Maikon

Há tempos circula na imprensa a notícia de que a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) elencou suas prioridades nas eleições de 2010:

1º - Eleger Dilma presidente
2º - Eleger uma grande quantidade de senadores
3º - Montar uma base governista forte na Câmara Federal

e apenas em 5º e 6º, estão as vagas de Governador e deputados estaduais. Portanto não se engane, a decisão de Carlito tem cunho político sim, mas nada tem a ver com "ajudar" Ideli e sim uma ordem do topo da pirâmide petista em não melar a eleição de Dilma para presidente.

É preciso que os movimentos sociais, que estão cumprindo um papel fiscalizador invejável na nossa cidade, continuem fazendo o dever de casa, pois depois das eleições só Deus sabe o que nos espera.

Grande abraço
Cristiano Alves

Maikon K disse...

Cristiano,

Ontem, um morador de araquari, usuário do transporte da cidade vizinha até joinvas (aliás, quem manda no transporte das cidades vizinhas?), disse que isto está cheirando "barganha eleitoral". Penso que é o melhor nome para toda essa titica do transporte coletivo privado e a jogada política.

Concordo com o lance no âmbito federal. O projeto de poder do PT visa todas as esferas. Porém, prefiro identificar o que é mais próxima a nossa realidade. Acredito que é visível aos nossos olhares e reflexões. É claro, sem deixar de apontar o conjunto do problema, por vai seu apontamento.

Além da barganha eleitoral, tem outras articulações econômicas e políticas. Um exemplo são os discursos afinados entre prefeitura e gidion e transtusa, cuja defesa do modelo colombiano de transporte coletivo está nos jornais.

Abraço,
Maikon K