quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A crônica dos vinte e nove anos (ou: A crônica do nunca)



Nunca acreditei na necessidade de um emprego fixo, hoje acredito. Não falo sobre abraçar completamente o sistema, fazer parte da maneira “mais alienada” do processo capitalista e estatal. Falo de vender a minha força de trabalho, mas sem deixar de lado uma organização política visando à superação do capital e do Estado. Vejo isso aos vinte e nove anos.



Nunca expliquei publicamente como me deixo levar por pensamentos sem sentido. Gerando efeitos cabreiros aos meus relacionamentos amorosos. Quando ocorreu de perceber os tais pensamentos, discuti internamente  e cheguei a uma saída, mas logo caia em contradição e voltava a cometer os mesmo erros: “piro na pira errada” (Cultura Monstro). Vou seguir sem essa pira. Vejo isso aos vinte e nove anos.




Nunca imaginei como era enterrar - literalmente - os meus problemas ligados a ausência paterna. Agora sei que o sabor é paradoxal, pois um dia é como se tivesse acordado com uma ressaca após alto consumo de cigarros de filtros vermelhos. Noutros dias me sinto como se tivesse sido acordado por beijos da terceira estrela. Vejo isso aos vinte e nove anos.





Nunca pensei em completar mais um ano de vida com a certeza de que  o plano A está sendo realizado, inclusive planos B, C, D e E. Onde o único foco é  caminhar rumo a serenidade, possuindo a certeza de que todas as minhas experiências foram coletivas. Que a minha memória me leva individualmente a não cair nas armadilhas das ruas que pássaros e ratos se confundem. Vejo isso aos vinte nove anos.