sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Proibido Protestar ?


Está circulando na “grande mídia” local a informação da proibição de manifestações no desfile de aniversário da cidade. A PMJ - Prefeitura Municipal de Joinville – alegou que não será permitida realização de demonstração na frente do palanque, na intenção de não atrasar o desfile. 


A repercussão da medida da PMJ começou na última terça-feira, por meio da coluna do Jefferson Saavedra no A notícia. No dia seguinte os radialistas da direita joinvilense (Toninho Neves, Luis Veríssimo e Beto Gebaille) falaram contra a medida, o mesmo aconteceu na edição impressa do jornal Gazeta de Joinville. A oposição de esquerda e da direita aproveitaram o espaço e marcaram presença. Ler Maurício Peixer (do PSBD) gritando por democracia e liberdade de expressão é tão horrível quanto observar a pose de "esquerdista" do prefeito Carlito Mers (do PT).


A “grande mídia” local, oposição de direita e PMJ não poderão esquecer das garantias da Constituição de 1988: direito de organização política, manifestação e liberdade de expressão. É importante reforçar as liberdades políticas, verdadeiras migalhas jogadas pelo Estado de Direito. 


Outro reforço é que em outros aniversários da cidade e nas comemorações da falaciosa “independência do Brasil” já aconteceram proibições veladas. As manifestações sociais e legitimas (e não bobagens da direita) sofreram com atos repressivos por conta das ações dos organizadores dos desfiles ou por abuso da autoridade policial. No presente momento, o único problema de reclamar na frente  do palanque das autoridades é  ser confundido com um maldito direitista do PSBD ou do DEM.



Na cidade, ainda existem gritos, expressões e lutas legitimas. Estão no Movimento Passe Livre, na luta do movimento estudantil, nas lutas feministas, na questão  da sexualidade, dos-as moradores-as do Juquiá, nas entidades de classe e nas organizações políticas revolucionárias. A questão da proibição não será um grande problema, já que  os-as  lutadores-as sofreram com as tentativas autoritárias do silêncio da dissidência rebelde. No fundo, a medida será mais uma das bandeiras das lutas sociais citadinas.

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A imagem foi produzida no ano passado. Foi utilizada durante a luta contra o aumento na tarifa do zarcão. Eu não tenho um link do autor e nem o nome dele. Foi mal.

Macunaíma


Macunaíma”, livro escrito em 1929 por Mario de Andrade, figura com destaque entre os trabalhos modernistas dos anos 1920 e 30, é reconhecido como a obra literária de grande importância para o entender o Brasil. Faço referência ao entendimento literário, mesmo que, obviamente, a produção literária é fruto do seu meio, na mesma medida a leitura. Os modernistas tiveram um papel importante no que remete ao conteúdo de suas obras. Segundo críticos, os modernistas não foram transformadores na questão estética, valorizaram mais o conteúdo. Eu não tenho propriedade no assunto, mas vale a pena perceber as duas linhas interpretativas da  Semana da Arte Moderna de 22.


Eu, como outros produtos da Escola Pública Brasileira, tive primeiro acesso a adaptação cinematográfica do que o livro. O filme Macunaíma é de 1969, assisti na década de noventa, provavelmente numa madrugada no Canal Bandeirantes, devo ter sido surpreendido com a cena do nascimento do Macunaíma, no filme representando pelo Grande Otelo e depois por Paulo José.  A direção do filme ficou a cargo de Joaquim Pedro de Andrade, acompanhada de um elenco fodido de bom.  “Macunaíma” é daqueles filmes que ao passar dos anos traz outros significados e sentidos. Por exemplo, hoje identifiquei a música de Jards Macalé.


No presente momento não vale discorrer sobre o filme. Afinal, o filme estará sendo exibido no Cine-Teatro do SESC de Joinville, vá, assista e desenvolva uma opinião.





Filme: Macunaíma
Direção Joaquim Pedro de Andrade
Ano: 1969
Duração: 108 minutos.
Local: Cine-Teatro do SESC de Joinville
Horário: 19h:30
ENTRADA FRANCA