quarta-feira, 17 de março de 2010

Um forte relato do transporte coletivo em Joinville


O blogue não recebe uma grande quantidade de comentários. Ao mesmo tempo, não tenho o hábito de publicá-los como postagem. Na postagem sobre o Dossiê do transporte coletivo publicado na Gazeta de Joinville, um comentário chamou atenção. Autoria é de Ignácio, professor da rede estadual de ensino. Eu não o conheço, mas seu forte relato sobre a situação do transporte coletivo pontuou a necessidade da publicação como postagem. Abaixo está na íntegra:

"Maikon,

Sou professor da rede estadual de ensino e todos os dias tenho que utilizar o sistema de transporte público de Joinville (os ônibus). A linha Tupy-Norte, a qual utilizo, está com hiper-ultra-mega-lotação em vários horários (não há mais horário de pico). Na frente do ônibus está informada uma lotação x para passageiros em pé e sentados. Este número vem sendo extrapolado cotidianamente e em vários horários. Se existe uma normatização para a alotação e ela é ultrapassada, concluo que a segurança dos veículos e da população está sendo posta
em risco. O aviso de que não se pode estacionar nos degraus foi retirado, porque não para nos degraus deixou de ser uma condição de escolha - ou fica nos degraus ou não entra nos ônibus e consequentemente, muitas vezes, chega-se atrasado ao trabalho. Ano passado, Em Curitiba, uma pessoa que estava encostada na porta de um ônibus hiperlotado, caiu e morreu quando a porta, não aguentando a pressão, se abriu. Isso pode acontecer em Joinville também. Além disso, a superlotação, favorece a disseminação de doenças infecto-contagiosas, como Meningite e Gripe A. Liguei dia desses no 0800 47 5001 para reclamar e me deram a resposta dizendo que iam aumentar o número de carros, mas isso não aconteceu. Enquanto isso, pessoas estão sendo obrigadas a esperar nos pontos, pois os ônibus desta linha (e provavelmente outras também), não estão parando nos pontos, por causa da famigerada hiperlotação. tudo isso ao preço exorbitante da tarifa de 2,30 ou até 2,70. Muitos ônibus têm quebrado ultimamente por conta disso e os que não quebram totalmente vem se "arrastando". Eu teria muito mais a descrever, mas por hora é isso. A sensação é de indignação e impotência, já que a maioria da população permancece muda quanto a esse sério problema.

Abraço!

Ignácio."

As considerações de Ignácio são contundentes. Poderá transparecer uma novidade para quem não utiliza o transporte coletivo em Joinville, mas para quem é leitor-a do blogue ou faz dos zarcões o meio de ir e vir o relato não é novidade. Felizmente a insatisfação do Ignácio está vindo a tona, seguidamente estará surgindo a organização da insatisfação. Por isso, falar, publicar, participar e lutar por um transporte coletivo realmente público é de grandíssima importância.


 



Acusar o golpe e denunciar o tabu


os tanques presentes no 1ª de Abril de 1964, Brasília-DF

"O fato é que ainda não acusamos suficientemente o Golpe. Pelo menos não o acusamos na sua medida certa, a presença continuada de uma ruptura irreversível de época. Acabamos de evocar a brasa dormida de um passo histórico, os vasos comunicantes que se instalam desde a primeira hora entre o mundo dos negócios e os subterrâneos da repressão."  Paulo Arantes (Artigo completo aqui)


Por aqui, não é de hoje as referências a presença da ditadura militar-civil(1964-85) por Joinville, entendendo a cidade como parte da história nacional (e global). Ainda mais quando se fazem presentes vozes tentando escamotear a repressão e a resistência na cidade do "príncipe". O artigo "1964, o ano que não terminou...", de Paulo Arantes, assim como o lançamento do livro "O que resta da ditadura: a exceção brasileira" e debate transmitido via internet (mais informações aqui) é um demonstrativo da importância do tema na história do tempo presente. Numa cidade em que um tabu está sendo propagado, divulgar discussões referentes ao tema é uma maneira de acusar o golpe e denunciar o tabu.



fonte da imagem: aqui.