terça-feira, 23 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone - I


Os usuários e as usuárias do transporte coletivo encontram diferentes maneiras de reclamar da condição do transporte coletivo. A maneira mais convencional é participar nas manifestações contra o aumento na tarifa. No presente blogue, diferentes maneiras de colocar a boca no trombone estarão sendo divulgadas. A primeira será a dica de uma amiga.

Ao comprar o cartão para fazer valer o seu direito constitucional de ir e vir, o usuário e a usuária, utilizando um pincel  de marcador permanente escreva a sua opinião sobre o novo aumento na tarifa do zarcão.   O cartão será depositado na máquina de bilhetagem, quando retirado nas empresas, a sua mensagem estará nas mãos das famílias proprietárias do transporte coletivo. 

O efeito político não é possível de se imaginar, mas é uma maneira de expor a sua opinião, o que não excluí a importância de compor as lutas nas ruas, ocupando diferentes espaços como mecanismo de expressão. Por isso, se manifeste contra o aumento e por um transporte coletivo realmente público.

Uma descoberta


O que seria um desocupado para o major Eduardo Luiz do Valles? A sua única frase não era suficiente para chegar a conclusão mais consistente. Felizmente (ou: seria infelizmente) numa conversa com um jornalista empregado, não falo desses estudantes de jornalismo que adotaram o comunismo ou pensamento de esquerda, o que poderia fazer da minha fonte ficar com uma baixa credibilidade aos olhos de quem espera "objetividade" (vulgo: imparcialidade) dos-as jornalistas. Ao menos publicamente, o jornalista não tem uma filiação partidária e nem envolvimento com movimentos sociais.

Este amigo jornalista estava na cobertura do primeiro dia da "Operação de Guerra" no centro de Joinville. De lá trouxe a informação de que o Major disse quando uma pessoa passar numa praça ou rua e uma hora depois voltar a fazer o mesmo trajeto, é passível de entrar na lista das pessoas desocupadas. No momento a minha perna tremeu, passei a questionar todos os meus passos dos últimos tempos. Uma aflição bateu.

Hoje o meu telefone móvel tocou uma música pernambucana, era um amigo que acabava de voltar a realidade, pois passou os últimos dias deitado numa cama com sua amada, espero que ele não tenha caído na história da casa num sítio, ao chegar o fim da noite a companheira amada chamando as crianças para jantar, toda essa história de família pode se tornar apenas seis minutos . Voltando aflição.  No  telefone móvel era um amigo historiador empregado. Ele relatou de certa preocupação com a minha vida. 

O amigo comentou que sabe das minhas caminhas pelo centro. Quando faço o destino um ponto nada certo, como o escritor beat tenho apenas ido, sem  determinar um ponto exato. Explico melhor, estou desempregado, quando estou trabalhando faço parte do trabalho informal, logo os pensadores do mundo social do trabalho vão bolar todo um léxico conceitual da minha condição laborial-informal. Então, a minha caminha tem sido na busca de uma vaga no mercado de trabalho ou vagabundeando nos bancos da cidade.

Segundo o meu amigo historiador empregado, tenho os requisitos mínimos para sofrer uma abordagem policial. No fundo, nada sairá da rotina. Entenda-se abordagem policial seguindo o roteiro "Mão na parede!", "Abra as pernas.", "Eu falei para abrir as pernas!”, "O que tá fazendo por aí, é a segunda vez que tu passa em uma hora nessa praça!”, "Se tá procurando emprego deveria tirar essa barba!!!" Além de receber um tratamento que todo cidadão de bem não colocaria a boca no blogue,  ganho um curso de como manter aparência na busca de uma vaga no mercado de trabalho. Sabe, ao mesmo tempo fica claro o conceito de desocupado e, num ato de pura lambuja policial, descubro um amor a polícia. Sem esquecer que o amor de verdade tem sua dose de aflição, mesmo sendo um desocupado no ponto de vista da polícia.