quarta-feira, 24 de março de 2010

Arte de colocar a boca no trombone - II

Nos Estados Unidos da América, entre as primeiras décadas do século XX, o IWW (Trabalhadores Industriais do Mundo) ganhou destaque por seu sindicalismo revolucionário, os seus membros ficaram conhecidos por Wobblies. Entre as diferentes maneiras de atuar estava a postura se uma categoria estivesse com o salário atrasado, toda a classe trabalhadora deveria prestar solidariedade.  O que marcava a necessidade de uma grande rede de propaganda da luta. Eram jornais, músicas, peças teatrais, atos surpresas, sabotagens e discursos em lugares improvisados.

Os discursos em lugares improvisados consistiam em subir numa caixa de sabão*, num lugar movimentando da cidade, passando a discursar sobre as condições da classe trabalhadora. Naquele momento histórico a especialidade da polícia era criminalizar os movimentos sociais e políticos, o que permitia poucos minutos para falar. Ao aproximarmos a prática dos Wobblies a realidade do transporte coletivo em Joinville, a condição de colocar a boca no trombone como nossos companheiros históricos é uma prática válida.

Podemos nos comunicar dentro dos zarcões. Ao invés de puxar papo sobre a chuva excessiva ou o calor brutal, converse sobre o transporte coletivo, a exploração encabeçadas pelas famílias Bogo e Harger, da postura da Prefeitura com a perspectiva privada do transporte, da necessidade de um transporte público, a importância da luta contra mais um aumento e todos os eixos entre transporte coletivo e o direito de ir e vir. 

Quando estiver mais preparado-a, fique de pé, não precisa carregar uma caixa de laranjas, solicite um minuto da atenção e fale sobre todos os problemas do transporte e as possibilidades de luta e alternativa. Importante é não se prolongar, às vezes pode encher a paciência dos-as usuários-as. Ou para evitar que algum policial venha encher a sua paciência, o que não deverá acontecer. Quem sabe uma nova rede de comunicação seja criada, possibilitando a organização da insatisfação contra o aumento  e pelo transporte spúblico.

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* A versão original da postagem fazia referência a uma caixa de laranja. Eu fiz confusão. Caixa de laranja era o que o poeta Allen Ginsberg utiliza como estante dos seus livros. Estava lendo "O anarquismo frente aos novos tempos", do Murray Bookchin. Na página 22 e 23 do livreto, ele cita "Esse fantástico mundo das "caixas de sabão", como ficou conhecido na América do Norte, era uma fonte de ativo intercâmbio político." Então, errei.

Nota da imagem: No centro, provavelmente utilizando como "palanque" uma caixa de laranja, está um wobblie, no inverno de 1912, em San Diego, EUA. Clique aqui e tenha acesso a fonte.