domingo, 28 de março de 2010

Um fato inesperado

Comecei a série "Arte de colocar a boca no trombone" no dia 23 de março de 2010.  É bom registrar, que nem todas as idéias são novas, a maioria já são práticas continuas dos movimentos sociais e políticos. Ao mesmo tempo, nem todas são de minha autoria, um exemplo é o tema da primeira postagem, que foi sugestão de uma companheira em luta.

O conteúdo da primeira postagem foi de marcar mensagens contra o aumento e a favor de um transporte público. Nos dias seguintes da postagem sugiram comentários, a maioria a favor. Ao mesmo tempo diferentes redes sociais divulgaram a proposta. O que não significava uma aceitação efetiva, ou seja, que a proposta seria executada. 
  
Os bilhetes, ao ficarem nas máquinas das catracas, foram recarregados e são retornados a venda. A minha suspresa foi saber que um grupo de estudantes universitários-as se reuniram e marcaram por volta de quarenta bilhetes. Hoje, nem uma semana após a postagem, um estudante comentou que comprou um bilhete, num terminal da cidade. O bilhete estava marcado com uma mensagem contra o aumento. O primeiro efeito está ocorrendo.  A mensagem está circulando. Vamos continuar a divulgar, a lutar e se organizar.
Proposta I, II, III, IV e V

Está num jornal velho e amarelado - I

A reportagem é  um único recorte de jornal, é impossível fazer uma análise de profundidade com uma única fonte. É preciso amparar em outras fontes históricas como a pesquisa oral , os demais recortes de jornais, os documentos oficiais das empresas, da câmara e da prefeitura e numa ampla pesquisa bibliográfica. Mas vale a pena publicar a fonte histórica.

 "Tinha crianças, velhos e jovens num total aproximado de 200 pessoas que, pouco antes das 20 horas, cansados de gritar e segurar cartazes, resolveram subir os quatros lances de escadas até chegar ao terceiro andar do edifício BESC, onde está instalada a Câmara."  

É o que diz um recorte velho e amarelado do Jornal A notícia, em reportagem publicada no dia 05 de Outubro de 1982. Quando os movimentos populares da cidade se organizaram num ato de cobrança de um encaminhamento do passe-trabalhador. Naquele ano, o presidente da Câmara de Vereadores era Marco Antônio Peixer (do PDS), hoje um péssimo comentarista de futebol, , no ano de 82 era político da Ditadura Militar (1964-85). Peixer tentou evitar a manifestação, não obtive êxito, já que as reivindicações populares não foram realizadas. Não é de hoje que setores da política querem silenciar os movimentos sociais  e sustentam relações entre empresas e políticos. Outro detalhe, quando os governos escutam as vozes das ruas, geralmente, é para fazer um teatro, um verniz de democracia. O que torna fundamental, é mobilização, debates nos mais variados espaços e uma organização consistente.