quarta-feira, 31 de março de 2010

As intervenções

Os reflexões da primeira proposta para colocar a boca no trombone está crescendo. O mais empolgante é saber que a iniciativa já está sendo aplicada por diferentes pessoas. Faço a reprodução de uma mensagem e imagem em circulação em diferentes mensagens.

"Nossa cidade está passando por mais um momento de exploração pelo transporte coletivo, as empresas de ônibus estão pedindo mais um aumento de passagem.
Péssimo para nós, os usuários.
Está rolando pela cidade várias Inserções nas passagens que agora são cartões retornáveis.
Essas inteserções consistem em escrever nos cartões frases, que reclamem o aumento, questionem os outros usuários sobre a participação para barrar o aumento, fomentem a crítica ao transporte, etc...
        Esse é um meio de comunicação popular que está sendo utilizado por diversos usuários e que causa uma interferência no meio desse circuito ideológico de transporte privado e lucrativo.
         As inserções não são novas e foram muito utilizadas na década de 60 e 70, como sabemos, durante o processo da Ditadura Militar no Brasil. O artista Cildo Meireles  foi o precursor  dessa Ação. Percebendo que na sociedade havia circuitos, assim como o nosso atual da passagem retornável, aproveitou o próprio circuito para criticá-lo. Assim foram as suas Inserções em circuitos ideológicos.
        Na insersões em circuitos ideológicos - Quem Matou Herzog? (foto em anexo), o artista utilizou o circuito da cédula (na época cruzeiro) para questionar o suposto suicídio do jornalista Wladimir Herzog, encontrado morto no DOI-COD, veiculo de repressão da Ditadura Militar.
          Na inserções em circuitos ideológicos - Projeto coca-cola (foto em anexo) o artista utilizou as garrafas retornáveis de coca-cola para questionar a invasão do modo de vida americano no país. Nelas ele colocou a frase: “ Yankees go home” ou seja “Americanos vão pra casa”.
         Além das inteserções, músicas, teatros e demais trabalhos artísticos, a Ditadura Militar foi encarada por dezenas de manifestações contra o regime.
          Como vemos em outros momentos da história do país, as inserções estiveram presentes como foram de questionamento, protesto e crítica.
Esse é um desses momentos, não deixe de fazer a sua parte, seja nas passagens, seja nas ruas!"

Canção de protesto - IV


A última canção é “Nós estamos sabendo”, uma versão de “Está chegando a hora”, de Rubens Campos e Henricão. Acesse as três canções anteiores I, II e III.

4. Nós estamos sabendo
Nós, estamos sabendo
que as tarifas vão aumentar
o que é que vamos fazer
se não temos com que pagar

Ai, ai, ai, ai,
pare este aumento agora
senão nós damos um jeito
meu chapa,
de mandar você ir embora

Quem vive, tem que comer,
tem que vestir,
tem que estudar...
mas com o aumento de tudo
não dá mais pra gente agüentar.

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Eu procurei um vídeo de qualidade, mas nada de coisa boa. Caso tenha uma dica, deixe um recado.

Canção de protesto - III

A terceira canção (I e II) de protesto é "Povo Vivo", uma versão de "Peixe Vivo". Eu não tenho idéia de quem é autoria da composição, já ouvi na voz do Milton Nascimento e do Roberto Carlos.

3. Povo Vivo

Como pode povo vivo
ir a pé para o serviço
o aumento que pediram
é injustiça é disperdício.


ESTR.
Como poderei viver (bis)
Sem dinheiro e sem transporte
é o começo da morte (bis)


O pobre desempregado
não tem nada esta ralado
quando vai pedir trabalho
vai a pé volta cansado


Como pode o operário
viver com este salário
e além de tudo isto
aumentar passagem já é vício


Canção de protesto - II

Continuando com as versões da música popular brasileira. Veja a primeira aqui. A música agora é "Triste Situação", uma versão do clássico Asa Branca, do grande Luiz Gonzaga. Luiz, estava entre os discos de vinil do meu avô, assim como Zé Nilton e tantos outros.

2. Triste Situação

Quando vi os companheiros
reclamar a situação
eu perguntei por tudo isto
e a resposta que judiação

Surgiu de novo o aumento
do transporte da cidade
e quem assina não esta sabendo
de todas nossas dificuldades

As planilhas que pedimos
a prefeitura não quis dar
e nós sabemos que todo povo
tem o direito de examinar.

Nossa luta é legal
para os direitos conquistar
de ter transporte bem acessível
para podermos ir trabalhar

Canção de protesto - I

Revirando envolopes com recortes de jornais e outras fontes documentais das lutas por um transporte público e contra o aumento na cidade de Joinville, encontro a uma folha A4, completamente amarelada, acompanhada de adaptações de clássicos da música popular brasileira. Infelizmente a autoria das versões não consta. Também está sem a data.

Vou  publicar o material conforme a ordem na folha.

1. Ó Companheiro
Ó companheiro porque estás tão triste
mas o que foi que aconteceu,
foi  a tarifa que subiu de novo
o maldito aumento me entristeceu

ESTR.

Ó companheiro, não fique triste, não.
A nossa luta não pode parar agora
o aumento está por fora
vamos vencer os patrões.

Atualização de um roubo

O possível valor do roubo foi atualizado. As empresas Gidion e Transtusa encaminharam o valor de R$2,65 (Leia mais aqui). O colunista Saavedra disse que o prefeito Carlito Mers (do PT) "não pretende demorar tanto" assinar o novo aumento. Eita vontade doida de favorecer os empresários e foder com os-as fodidos-as da cidade. Aliás, o jornal A notícia de hoje, como os demais veículos de comunicação da Rede Globo, lançou uma reportagem sobre acessibilidade ao transporte coletivo em Joinville (Leia aqui). Caso, você seja um pessoa que ama dizer sobre as qualidades do transporte oferecido pela família Bogo e Harger, se informe melhor, pergunte para sua empregada doméstica quais as qualidades do transporte coletivo utilizado todos os dias por ela. No ano passado, quando Carlito aumentou a tarifa, o debate com a população não ocorreu, isso porque ficou enrolando para assinar o aumento. Em 2010, não pretende demorar tanto para encontrar caneta e o contrato. Ou seja, nenhum debate será promovido, ninguém da população será levado em conta. Quem sabe seja um momento para análises mais radicais e pressões mais emergentes.