terça-feira, 6 de abril de 2010

O direito de ir e vir no transporte coletivo pivado:


“... para a maioria absoluta dos trabalhadores os direitos de ir e vir, em cidades massificadas e grandes como as nossas, acaba aí pelo décimo quinto, décimo sexto dia útil do mês, porque acabou o dinheiro para pagar a passagem do ônibus. O máximo ele vai de casa para o trabalho e do trabalho para casa, não vai a lugar nenhum mais, porque já gastou o transporte do mês. Ele não tem mais o que fazer, vai e vem no máximo do mercadinho da esquina, que é onde ele pode continuar pendurando suas contas das despesas do mês. Aí acaba seu direito de ir de vir...”
 
Fragmento da fala de Paulo César Carbonari (na foto acima), militante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, durante a primeira aula do Curso da Escola de Formação Popular em Direitos Humanos – do Centro de Direitos Humanos de Joinville "Maria da Graça Bráz" – no dia 07 de Agosto de 2008.

As artes e o aumento na tarifa do zarcão

A primeira guerra mundial (1914-19), gerou uma tremenda crise na Europa. Um grupo de artista, em Zurique e Berlim (o grupo alemão é o mais interessante), argumentaram que não tinha razão em fazer arte, a guerra sustentava uma crise no continente europeu, acompanhados de outras visões sobre arte, política e de mundo, passaram a marcar a história com o dadaísmo, repleta de inovação artísticas, entre elas a fotomontagem.

O momento presente não é uma grande crise, de abalar as estruturas.  A crise é no bolso de quem realmente produz a cidade, mesmo quando os aumentos na tarifa do zarcão aparenta  tá naturalizado. Em outro momentos históricos, quando se naturalizou uma crise, a classe artística desenvolvia o papel de lançar perguntas as tais naturalizações.

Por aqui, a classe artística, envolvida em todos os processos do fazer (e se fazer) a vida na cidade, acabou permitindo a sua naturalização frente aos problemas sociais, políticos, econômicas e culturais. Um aumento na tarifa do zarcão, na taxa da água, as péssimas condições da rede estadual de educação são problemas sem nenhuma ligação para quem faz teatro, dança, cinema, artes plásticas e afins. Eu conto nos dedos os-as envolvidos-as nos protestos e nos debates para de criação de alternativas.

A classe artística não precisa ir as ruas, em tempos de letargia, o simples fato de se perceber como parte de um todo já faz um certo sentido. Percebendo o quanto o teatro, as artes plásticas, o cinema, a música e outros-as estão numa tremenda dependência do transporte coletivo e, acima de tudo, passar a falar e discutir a cidade, ampliando os horizontes e as realizações sempre foram mecanismo para criações e transformações no fazer arte.Assim, possibilitando questionamentos frente as naturalizações. 


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A fotomontagem é de John Heartfield, socialista e artista ligado ao grupo dadaísta de Berlim