terça-feira, 13 de abril de 2010

O tiro no pé do IPPUJ


Quando o IPPUJ lançou a pesquisa sobre a mobilidade em Joinville, alguns dos seus políticos de plantão soltaram a voz de alegria. A novidade da pesquisa, deixando no ar que iria abrir um novo caminho ao paraíso. A publicação dos primeiros dados já apontam o revólver ao pé do IPPUJ.



O jornalista Jefferson Saavedra, na sua coluna de hoje, escreveu:


 “Em contagem de tráfego realizada entre 2006 e 2007, por exemplo, 7,8% dos deslocamentos eram feitos de bicicleta. Agora, passou de 10,3%. É um crescimento surpreendente. O que não causa surpresa é o avanço do transporte individual motorizado (carro e moto) em detrimento do coletivo (ônibus). Nem poderia ser diferente. Em 2002 (ano da estatística mais antiga do Detran), eram 105 mil carros. Hoje, Joinville tem 174 mil licenciados.

A frota de motos e motonetas passou de 22 mil para 43 mil, quase dobrando. Juntos, os dois tipos de veículos respondem por algo em torno de 65% dos deslocamentos. O restante anda de ônibus ou a pé.


O que consiste o tiro no pé do IPPUJ?


Os técnicos urbanos estão privilegiando os transportes não motorizados, as caminhadas e pedaladas? Os números apontam o contrário, o uso de carros e motos. Afinal, a lógica privada é que manda no transporte coletivo, fazendo da tarifa ser um roubo. Acompanhada das malditas publicidades da indústria automobilística, o sonho da classe média. Os 10,3% dos-as corajosos-as que pedalam, os-as coitados-as. As ruas da cidade estão planejadas para a velocidade dos-as donos-as das razões, os-as motoristas. Quem se arrisca, tem mais chance de beijar o meio-fio do que chegar ao seu destino. O IPPUJ, ao se arriscar na pesquisa, não imaginou que estaria dando um tiro no pé. O que se vive é um descaminho em relação a mobilidade urbana, se valorizando o status de um carro e fodendo quem utiliza os zarcões e as zicas.

Recado ao Carlito Mers

Ir até a escola, ao jogo do jec, ao teatro, ao trabalho, ao hospital e tantos outros lugares da cidade... tá caro pra caramba. "2,30  é um roubo!"